17 de dezembro de 2012

Parei de sonhar



as ideias querem virar nó... as incertezas pesadelos... os medos bobos dragões... as frustrações o fim... seguro as lágrimas com as pontas dos dedos... a canção que no outono me alegrava hoje embala meus devaneios entristecidos... o futuro me parece tão longe, demora a chegar, escondo o presente em uma cortina tênue... parei de sonhar... deixei a vida me levar... não me aninhei em teus braços... no lugar do meu sorriso tevês meu silêncio... a minha cumplicidade foi sufocada pela impaciência... rabisquei as letras grafadas em linhas azuis... amassei o papel com os versos que fiz pra ti... tua voz não ouvi... o vazio me engole... parei de sonhar.
Tu segura minha mão... e no calor da tua mão, sinto os sonhos voltando. O ar volta aos meus pulmões. Frio e calor se misturam em um redemoinho de sensações.
Segure minhas mãos.
Olhe nos meus olhos.
Convide-me para uma dança, e não se importe se eu pisar em teus pés.
Parei de sonhar, por um milésimo de segundo, mas, os ventos viraram, os olhos voltaram a brilhar, a esperança reacendeu sua chama, o futuro está apenas começando. Aceito o tempo de um suspiro, eis o segredo da caminhada. Segure minhas mãos e vamos, juntos, caminhando afinal o futuro nos pertence e os sonhos são meus e teus. Nossos. Mesmo que paremos de sonhar por um segundo, mas, saiba que eles voltam, eles sempre retornam para nós.

20 de outubro de 2012

Quando o dia nascer


Hoje à noite vou correr na rua e deixar a chuva, que cai dançando, lave meu corpo e enxugue de minha alma todos os meus medos bobos. Que as lágrimas se juntem as gotas que caem e não retorne aos meus olhos.
Que os raios que cortam o céu negro ofusquem meu olhar.
Os trovões silenciados pela música que cantarolo em vários tons, desafinada.
Faço piruetas de balé com a ponta dos pés.
Viro cambalhotas igual criança sem medo de cair.
Olho para o céu e fecho os olhos, abro a boca e deixo que as gotas da chuva molhem a garganta. Degusto o sabor da chuva fria.
Os sonhos me abraçam, a coragem me carrega em seus braços.
Noite que passa. Madrugada que chega. Meu bem sente comigo no alto da montanha, pois, eu sei que quando o dia nascer o arco-íris brilhará!


25 de agosto de 2012

Reticências


Palavras secretas
Lágrimas
Lágrimas de amor
Vidas ausentes
Pessoas ausentes
De mãos dadas
Afinando as cordas do coração
Compondo melodias
Desenhando destinos
Sonetos de desejos suspirados pelos ares
Poemas de saudades
Poesias de amantes, enamorados enquanto que dure
Esperar já não é a melhor solução
Segure a mão de seu amor, olhe nos olhos, dê um sorriso tímido, discreto, e caminhem lado a lado. Aprender que para amar precisamos doar um pouco de nós e receber um pouco do outro.
Com o corpo coberto pelo vestido da rainha, calço o sapato da cinderela.
Máscaras quebradas
Segredos do passado
Tristes olhos que me contemplam
A água cai contínua
O vento sopra
O suor escorre pela face franzida
Os corpos pesados de desejo
Arco íris descolorido
Música sem batida
Vida sem dor, sem ver, sem cor, sem ter
Vida de vidas
Vidas da vida
...

4 de agosto de 2012

Decifrando códigos


A agonia corrói a alma.
Vejo a paz ao alcance das mãos, mas, não consigo tocá-la.
Os sentimentos mais certos parecem enfraquecidos.
O que está havendo?
Seria o fim dos tempos?
Inicio de novos tempos?
Apenas os bons tempos se firmando?
Agora só desejo teus braços para me proteger.
Sinto-me a menor das formigas que caminham sobre a terra seca, levantando poeira.
A garganta está seca.
O vento parou.
A noite silenciou.
Meu coração pulsa, agoniado.
Tudo que era certo parece tão incerto.
Meus pés continuam frios, mesmo enrolados em cobertas fumegantes em chamas.
As brasas estão a gelar os corpos.
Cubos de gelo queimam as pétalas de todas as rosas brancas.
O tempo parou?
Os pássaros silenciaram!
A noite se cala.
A vida incógnita constante.
Passo os suspiros que me restam decifrando códigos enigmáticos.
As cordas do violão já não emitem som qualquer.
As mãos calejadas tremulam e fraquejam ao tentar manter entre seus dedos o lápis preto.
A vida pulsa em minhas veias. Sinto cheiro de vida. Sinto cheiro de amor. Sinto cheiro de calor. Sinto medo. Sinto abafamento. Sinto esperança. Sinto frio. Sinto estar viva.
Sei que posso não decifrar os códigos da vida, das pessoas, das vidas das pessoas. Mas, são apenas códigos. E os códigos não me impedem de viver.
Até minha mente cansar continuarei decifrando códigos.







 p.s. Dedicado, em especial, para as pessoas simples, que ingenuamente tentam decifrar os códigos da vida, das pessoas, das vidas das pessoas.

Busco


Promessas quebradas no silêncio do olhar.
Desculpas estampadas em frágeis faces.
Mentiras guardadas no fundo da alma.
Temer a felicidade como o açúcar teme a chuva.
Saber o significado das tempestades e vendavais.
Insignificações que valem muito.
Palavras ao vento que o vento leva.
Aspas que não realçam nada.
Interrogações eternas para perguntas já respondidas.
Reticências aonde o final já chegou são em vão.
Espaços sem lugar.
Parágrafos sem sentidos.
Capítulos incompletos.
Entrelinhas cheias demais.
Rodapés vazios de vidas.
Formatações fora de qualquer padrão.
Alinhamentos encurvados.
Fontes únicas.
Tamanhos milimétricos.
Cores monocromáticas.
Arranjos desarranjados.
Melodias melosas.
Exibições indiscretas.
Revisões de passados não vividos.
Referências nada ideais.
Busco coisas sem explicação.
Busco, apenas busco.
Mesmo que a chuva cai continuarei a buscar.
Busco o eterno terminável.
Enquanto a canção ecoar em minha mente, continuarei.
Busco a fórmula para todas as perguntas responder.
Busco sonhos insonháveis.
Pesadelos que não tive, mas que atormentam a alma límpida.
Que o silêncio continue silencioso mesmo quando minhas ideias gritarem.
Busco. Apenas para não parar.
Busco viciosidades simples.
Busco as vidas, as pessoas, as vidas das pessoas que vi na bola de cristal.
Busco a minha vida.
A nossa vida.
Busco.


3 de agosto de 2012

Adiante


Transcreva sua alma para o papel.
Esvazie a mente de rascunhos.
Os lápis já estão todos quebrados, não adianta rabiscar, agora é em vão.
As tintas secaram.
Os pinceis enrijecidos já não percorrem mais as telas brancas.
Invento sonhos que guardo em malas coloridas.
Jogo risos pela janela.
Cantarolando canções de outrora, falando de outras vidas, de outras pessoas, da vida de outras pessoas.
Procuro a canção que fale de mim, que fale de nós.
Procuro almas em corpos vazios.
Fixo o olhar nos céus, poderia algo de lá despencar?
Adiante na próxima esquina quem sabe encontre outras vidas.
O chão está limpo, os pés descalços percorrem os ladrilhos suavemente em um leve balé.
Poderia repetir sentimentos?
Poderia igualar frustrações e felicidades?
Rabisco a alma no papel, para esvaziá-la.
Quero no mais raso dos riachos as mágoas afogar e a alma banhar em águas cristalinas.
Canções que ecoam do vazio.
Vazio cheio de vazios.
Vazios vazios de tantos vazios.
Vazios e vazias que andam sem rumo.
Estradas infinitas, diversas, tempestuosas, tranquilas, coloridas, incolores, doces, azedas, palpáveis, inatingíveis, descritíveis, inexplicáveis, simples, complicadas, estradas...
Dizem que a esperança foi a última que morreu, pois bem, então, a partir deste momento meu nome é esperança!
Espero o corpo trêmulo ser percorrido por infinitos arrepios.
Abro os olhos e deixo a luz ofuscá-los.
Deixo o vento bagunçar loucamente os cachos dos meus cabelos.
Adiante na próxima esquina quem sabe encontre outras vidas. Ou simplesmente a minha vida que vi na bola de cristal. A nossa vida.


2 de agosto de 2012

Escolhendo melodias

O riso se torna superior a lágrima
O sentimento que supera todas as distâncias
O medo afugentado pela coragem
A nobreza mais valiosa que qualquer diamante
A primavera que derrete o gelo do inverno
A canção que ocupa os espaços vazios
As vidas corridas, vividas de sol a sol e que em cada gota de chuva que cai se renova.
Tiro os óculos escuros para ver as cores que inundam a visão.
Busco razões para não pensar no amanhã.
Quero o hoje, meu, meu hoje, hoje meu.
Vasculho a mente atrás de ideias entorpecentes.
Reviro baús ao mesmo tempo em que arrumo as gavetas mais bagunçadas.
Fotografias maltratadas pelo tempo cruel.
Os pássaros voltam para casa.
E eu sei que voltarás aos meus braços.
Hoje passei o dia escolhendo melodias.
Melodia para todas as manhãs.
Melodia para todas as tardes.
Melodia para todas as noites.
Melodia para todas as madrugadas.
Melodias de vidas, de pessoas, de vidas de pessoas repletas de melodias.
Há as horas em que as melhores melodias são as que trazem as lágrimas para mais perto dos cílios.
Há outras horas em que a melhor de todas as melodias é o riso que inunda a face cansada.
Quantas faces, quantas melodias....
Quantas vidas...
Quantas pessoas....
Quantas vidas de pessoas sem melodia!
Que os céus derramem a maior das tempestades e que as melodias jorrem tal qual a mais torrencial das chuvas, alagando as vidas de melodias.
Melodias que nos façam dançar na chuva de pés descalços.
Que o melhor beijo seja o beijo dos corpos molhados que conversam em silêncio.
Apenas hoje, que a madrugada tarde a chegar.
Agora só quero ficar perdida em teu olhar.
Que tua respiração seja o mais puro dos ares.
Que os lábios compartilhem das mais belas e secretas melodias.
Escolha a melodia que combine com a sombra delicadamente desenhada sobre as pálpebras.
Escolha o ritmo do batom favorito.
Escolho minhas melodias pelo que elas me dizem, mesmo que eu não entenda uma frase completa, por vezes apenas palavras soltas bastam.

9 de julho de 2012

Que a música não pare


Que a música não pare, mesmo que tenha chegado a hora de dizermos adeus.
Dos mais profundos dos desejos surge a vontade de querer dormir para sempre e sonhar um belo sonho já que a realidade se torna mais amarga a cada segundo que passa.
Sonhos de outras horas esquecidos rabiscados em um papel qualquer que o vento leva pela janela.
Ainda sinto o cheiro da rosa.
Ainda sinto teu cheiro em minha blusa lilás.
Teus olhares ainda sentem aquecer quando junto aos meus olhares.
Olhares perdidos por entre as páginas que rolam com o tempo.
Fotografias guardadas, papéis amassados, lençóis suados, camisas rasgadas, risos que inundavam ambientes. Restarão então apenas as lágrimas e o desejo de querer dormir para sempre e permanecer um belo sonho.
Que não seja real, mas que seja meu conto de fadas.
Não preciso de sapatos de cristal e nem tranças enormes, preciso apenas de teu olhar perto do meu.
Posso não poder dominar o tempo e nem os ventos, quero apenas tua mão segurando a minha.
Sinto que a chuva se aproxima, ela não tardará.
No abrigo do guarda-chuva estaremos esperando o destino, mas que a música não pare, entre sol e chuva, estar contigo é o que me basta.


2 de julho de 2012

Futuro passado no presente.


A gota do orvalho mansamente vai rolando pela pétala o chão é o limite do seu voo.
Voo sem parar por entre devaneios que me consomem.
O café esfria enquanto te espero para o jantar.
Café e janta qual a ordem? Ordem para que? Por quê? Basta!
As ordens já não me satisfazem mais.
Preciso de mais.
Certo.
Incerto.
Possível.
Impossível.
Preciso.
Preciso: que a música continue; que os dançarinos continuem a valsa; que as lágrimas parem de cair; que os sorrisos voltem aos rostos felizes de outrora.
Preciso.
Preciso do abraço que me acalma; do olhar que me encoraja; da mão que segura a minha mão e me deixa, simplesmente, em paz!
Os sonhos já caíram mundo a fora.
As tempestades já velejam em outros mares.
Espero-te para o jantar.
Teu lugar reservado está.
Fico a esperar, será que virás?
Só o tempo me dirá.
Posso estar cometendo as maiores das minhas loucuras, o pior dos meus erros. Mas, continuo aqui inerte. Os sentimentos que antes me habitavam já se dissiparam. As letras grafadas no papel estão desbotando. As lágrimas secaram. O sorriso voltou. Onde antes o frio imperava, agora o calor é hegemônico.
Diálogos por madrugadas a fora.
Sonhos que tempestuam as noites de lua cheia.
A música que quero para sempre lembrar.
O sentimento que quero seja infinito enquanto durar.
Intenso infinito incerto que me perturba a serenidade dos segundos.
Posso tudo, posso nada, nada e tudo que não quero.
O amargo que adoça o viver.
O doce que amarga o vivido.
Futuro passado no presente.
As cartas amarelas entre mãos trêmulas.
A ligação que não recebo.
A espera do futuro no presente que vai me deixando no passado.
E a gota do orvalho toca o chão árido.

27 de maio de 2012

Talvez seja...


...talvez as emoções não sejam as mesmas, talvez as razões não sejam as mesmas, talvez os sentimentos não sejam os mesmos, talvez as expectativas não sejam as mesmas, talvez meras possibilidades...
Talvez seja eu que veja emoções onde apenas há razões.
Posso sentir razões que não tem sentimento.
Posso querer o que não queres.
Posso ser o que sou. Posso ser o que não queres.
Posso tudo e posso nada.
Ser e estar, ou simplesmente permanecer.
O que me consola é o que me sustenta.
Meras possibilidades.
A incerteza me acompanha dia-a-dia.
Talvez minha lágrima seja teu sorriso, talvez teu sorriso seja minha lágrima, talvez teu querer seja não seja meu desejo, talvez minha dor seja tua alegria, talvez tua paz seja minha tormenta, talvez somos impares tentando ser pares, talvez sejamos imperfeitos tentando ser perfeitos, talvez sejamos tristes tanto ser felizes, talvez meras possibilidades.
 É possível que sejamos tudo e nada, é possível que não sejamos.
Talvez, uma mera possibilidade.
Talvez um seja a noite e outro o dia, talvez sejamos sol e chuva, terra e vento, água e pedra, doença e cura, lápis e papel, pés e mãos, sentimento e razão, mentira e ingenuidade, verdade e verdade, talvez meras possibilidades.
Talvez seja apenas quem pela janela olha as vidas que passam, as pessoas que passam, as vidas das pessoas que passam.
Talvez seja devassa.
Talvez seja santa.
Talvez apenas mais uma estranha.
Talvez seja ou talvez não seja.


E era isso

Como bala de goma com infinito gosto de quero mais...
O abraço que me envolve me entorpece de serenidade.
Ouço a respiração.
Sinto o coração que pulsa.
Onde antes o frio estava agora o calor das razões e emoções nos aquece.
O aroma suave.
O afago gentil.
Duas almas que conversam em silêncio.
Assuntos impares, vozes alteradas a logo o riso reina solto.
O olhar silencioso que tudo diz.
Raramente todas as pétalas das flores de um ramalhete são homogêneas.
Algumas, já murchas, exalam a fragrância dos tempos, enquanto que a belas viçosas não se cansam de brilhar, robustas, elegantes.
O rosa que se torna bordo.
O branco que se torna amarelo.
O tempo que se torna história.
 O abraço que para o sempre se fez hegemônico.
E era isso, com o virar das páginas, os personagens mudam de feições, mudam de gosto, de cheiro, mas continuam personagens de muitas histórias como a bala de goma com infinito gosto de quero mais. 

Coisas de outono


A sala está vazia.
As mesas e cadeiras alinhadas, com exceção de duas mesas e três cadeiras que não estão alinhadas com as demais.
As cortinas suavemente indicam que o vento que passar.
Vozes ao longe pronunciando palavras quaisquer em um idioma qualquer se tornam murmúrios indecifráveis.
A mente viaja entre espaços e tempos múltiplos.
Dois apagadores azuis singularizam o ambiente.
Passado e presente revoltos em um redemoinho de ideias.
Possibilidades que assustam.
O cheiro do café quentinho chega ao olfato, quem sabe um pedaço de chocolate meio amargo mansamente descendo para o fundo da caneca e sendo encoberto vagarosamente pelo café quente, é uma boa sugestão para esta tarde onde o verde e o laranja do outono passeiam pelos campos e campinas embalados pelo vento gelado que sopra veloz. Mas, isto apenas se for outono, pois são coisas de outono.


19 de maio de 2012

CONFUSÕES



Tempo que se torna história.
Lágrimas que se tornam risos.
Sonhos que se tornam realidade.
A ventania que volta anunciando a chuva.
Marcas de passos na areia mostrando que não parei de caminhar.
O verde e o laranja que se confundem nos dias de outono.
As tristezas e as alegrias que se fundem em um olhar sereno.
Medo e vida lado a lado cutucando as pessoas para olharem para as suas vidas.
Pessoas e vidas, vidas e pessoas, confusas, únicas, dinâmicas e solitárias. Tantas peculiaridades e tantas confusões.



30 de abril de 2012

É simples assim




Teu cheiro
Perfume que impera celestial.
Cheiro que me acalma.
A canção amiga embala meus pensamentos viajantes.
Teu cheiro impregna minha alma, suave, como o aninhar nos ombros teus.
O sorriso que me alegra o espirito é teu.
O olhar que só eu conheço. O cheiro que eu conheço. As curvas do corpo. As manias ingênuas que eu alimento.
O jeito de moleque manhoso.
O jeito que me completa. Acrescenta mais vida aos meus dias.
Momentos inesquecíveis, que duram a fração de segundos suficientes para me transporem em bem estar.
Os risos soltos na noite silenciosa.
A cumplicidade compartilhada.
O olhar que dispensa palavras ao vento.
Um toque, uma sensação, um sentimento, um gostar infinito, que seja infinito enquanto durar.
É simples assim gostar de você.
Teu calor que me aquece.
Cuida de mim. Protege-me da maldade do mundo e das pessoas que por ventura tenham intenções de fazer-me mal.
É simples assim, não há por que complicar.
É simples assim.

14 de abril de 2012

reflexões em um dia de chuva

...tem vezes que parece que somos o último ser vivo neste planeta de gigantes...sentir-se esmagado por tudo e todos é crueldade da vida...vida que testa nossa fé em nossas próprias mãos, no que os olhos veem...olhos cansados de ver sonhos dissiparem-se no céu azul...ahh o céu azul ele é meu limite ou melhor o além dele é apenas meu início!
Não desista das tuas palavras, pois elas podem mover um sentimento, gerar um sorriso, ser o ar para um novo sonho!

31 de março de 2012

Arquivo morto


Os sonhos ainda vivem em algum canto do meu ser. Os pés mesmo cansados continuam a pisar na terra com pedregulhos.
O dia que amanhece gris me deixa em paz. O sol pode não brilhar hoje, mas, eu sei amanhã ele brilhará para a gente poder ver o por do sol.
Vasculho na mente, incansavelmente, o arquivo morto.
Sonhos enterrados a sete palmos a baixo da superfície límpida.
Frustrações esmagadas camufladas em um rascunho qualquer.
Fotografias não reveladas. Em cada verso uma história de amor e em outra uma de desamor.
Promessas organizadas em falsas ordens tal como a veracidade das mesmas.
Diários com páginas em branco. Reparo. Migalhas de uma página indicam que uma folha foi arrancada. O que nela estava escrito agora é um mistério absoluto.
O arquivo cheio de coisas que um dia foram vivas, que eram a minha vida.
Continuo viva. É que tem coisas que simplesmente deixei arquivadas. O passado já está desbotado. Deixo o arquivo morto em paz.
Abro os olhos, o sol está nascendo. Seus olhos continuam fechados em sono sereno. Um cafuné para despertar. O aroma do café amargo desperta o olfato. Seu sorriso me dá bom dia. Um beijo para selar a felicidade. A vida me espera. Eu vou viver.