31 de março de 2012

Arquivo morto


Os sonhos ainda vivem em algum canto do meu ser. Os pés mesmo cansados continuam a pisar na terra com pedregulhos.
O dia que amanhece gris me deixa em paz. O sol pode não brilhar hoje, mas, eu sei amanhã ele brilhará para a gente poder ver o por do sol.
Vasculho na mente, incansavelmente, o arquivo morto.
Sonhos enterrados a sete palmos a baixo da superfície límpida.
Frustrações esmagadas camufladas em um rascunho qualquer.
Fotografias não reveladas. Em cada verso uma história de amor e em outra uma de desamor.
Promessas organizadas em falsas ordens tal como a veracidade das mesmas.
Diários com páginas em branco. Reparo. Migalhas de uma página indicam que uma folha foi arrancada. O que nela estava escrito agora é um mistério absoluto.
O arquivo cheio de coisas que um dia foram vivas, que eram a minha vida.
Continuo viva. É que tem coisas que simplesmente deixei arquivadas. O passado já está desbotado. Deixo o arquivo morto em paz.
Abro os olhos, o sol está nascendo. Seus olhos continuam fechados em sono sereno. Um cafuné para despertar. O aroma do café amargo desperta o olfato. Seu sorriso me dá bom dia. Um beijo para selar a felicidade. A vida me espera. Eu vou viver. 

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