3 de agosto de 2012

Adiante


Transcreva sua alma para o papel.
Esvazie a mente de rascunhos.
Os lápis já estão todos quebrados, não adianta rabiscar, agora é em vão.
As tintas secaram.
Os pinceis enrijecidos já não percorrem mais as telas brancas.
Invento sonhos que guardo em malas coloridas.
Jogo risos pela janela.
Cantarolando canções de outrora, falando de outras vidas, de outras pessoas, da vida de outras pessoas.
Procuro a canção que fale de mim, que fale de nós.
Procuro almas em corpos vazios.
Fixo o olhar nos céus, poderia algo de lá despencar?
Adiante na próxima esquina quem sabe encontre outras vidas.
O chão está limpo, os pés descalços percorrem os ladrilhos suavemente em um leve balé.
Poderia repetir sentimentos?
Poderia igualar frustrações e felicidades?
Rabisco a alma no papel, para esvaziá-la.
Quero no mais raso dos riachos as mágoas afogar e a alma banhar em águas cristalinas.
Canções que ecoam do vazio.
Vazio cheio de vazios.
Vazios vazios de tantos vazios.
Vazios e vazias que andam sem rumo.
Estradas infinitas, diversas, tempestuosas, tranquilas, coloridas, incolores, doces, azedas, palpáveis, inatingíveis, descritíveis, inexplicáveis, simples, complicadas, estradas...
Dizem que a esperança foi a última que morreu, pois bem, então, a partir deste momento meu nome é esperança!
Espero o corpo trêmulo ser percorrido por infinitos arrepios.
Abro os olhos e deixo a luz ofuscá-los.
Deixo o vento bagunçar loucamente os cachos dos meus cabelos.
Adiante na próxima esquina quem sabe encontre outras vidas. Ou simplesmente a minha vida que vi na bola de cristal. A nossa vida.


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