O silêncio das ruínas me engole.
Sinto
um frio emprenhando minha alma. As paredes no mesmo instante inertes sem vida
parecem gritar agoniadas.
As paredes que guardam segredos, confissões,
estão hoje em ruínas, mas as vozes continuam ali guardadas.
Faça sol faça chuva as ruínas me acolhem. As
paredes me olham como uma criança eufórica para me confidenciar algo.
Tudo o que elas viram, ouviram são marcas de
vidas passadas por ali.
As paredes em ruínas, muito mais que simples
entulhos são a prova da ação do tempo. Tudo passa, mas as marcas ficam.
Nada passa despercebido. As cores perdem seu
colorido ganhando um novo tom. Os tijolos gastos pelo vento ganham novos
contornos sutis, por vezes quase impercebíveis.
Assustador para uns e encantador para outros,
as paredes em ruínas gritam silenciosas falando sobre as vidas, as pessoas, as
vidas das pessoas que passaram por ali e, assim como eu, deixaram um pouco de
si e levaram um pouco dessas paredes em ruínas.

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