4 de outubro de 2011

Corpos sem alma




Vago sem rumo.
A bússola quebrou.
O mapa está em branco.
Os pés estão sujos com a mala da chuva.
Os cabelos escorridos, embaraçados com tantos pingos de água que caem insistentes.
Os pensamentos se foram. A cabeça está vazia. A mente vaga sem rumo. Livre. Leve.
Os sonhos apagaram-se.
Os medos já não amedrontam mais.
As lágrimas secaram. Os risos sessaram.
Os olhos enxergam o nada.
Da garganta nenhum som ecoa mais.
Nos ouvidos o silêncio é absoluto.
Os ombros caíram. Cansados.
O vestido antes branco agora sem cor é.
Os sapatos vermelhos longe foram jogados.
Os espinhos que adentram a sola dos pés, em outrora sensíveis, agora nem cócegas fazem.
O caminho está sem pedras.
O gelo não esfria mais.
O limão antes cítrico agora é neutro.
Átomos e prótons perderam suas identidades.
Os cristais não brilham mais.
O mundo está sem cor.
O ouro nada mais vale.
As flores secaram. As cores descoloriram.  
As folhas do outono já não caem mais.
As perguntas esgotaram.
As canções perderam suas melodias.
A poesia está vazia.
As essências foram perdidas, por aí, em algum instante qualquer.
O tempo perdeu a razão.
A vida foi extinta.
Os corpos já não tem mais alma.

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