Vago
sem rumo.
A
bússola quebrou.
O
mapa está em branco.
Os
pés estão sujos com a mala da chuva.
Os
cabelos escorridos, embaraçados com tantos pingos de água que caem insistentes.
Os
pensamentos se foram. A cabeça está vazia. A mente vaga sem rumo. Livre. Leve.
Os
sonhos apagaram-se.
Os
medos já não amedrontam mais.
As
lágrimas secaram. Os risos sessaram.
Os
olhos enxergam o nada.
Da
garganta nenhum som ecoa mais.
Nos
ouvidos o silêncio é absoluto.
Os
ombros caíram. Cansados.
O
vestido antes branco agora sem cor é.
Os
sapatos vermelhos longe foram jogados.
Os
espinhos que adentram a sola dos pés, em outrora sensíveis, agora nem cócegas
fazem.
O
caminho está sem pedras.
O
gelo não esfria mais.
O
limão antes cítrico agora é neutro.
Átomos
e prótons perderam suas identidades.
Os
cristais não brilham mais.
O
mundo está sem cor.
O
ouro nada mais vale.
As
flores secaram. As cores descoloriram.
As
folhas do outono já não caem mais.
As
perguntas esgotaram.
As
canções perderam suas melodias.
A
poesia está vazia.
As
essências foram perdidas, por aí, em algum instante qualquer.
O
tempo perdeu a razão.
A
vida foi extinta.
Os
corpos já não tem mais alma.

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