Um olhar. Um sorriso. Um afago. Um grama da tua preciosa
admiração. Um pingo de consideração.
Que me emprestastes teu ombro uma vez apenas.
Era só isso que eu queria.
É. Mas eu era apenas mais um passa tempo.
A última bolachinha recheada do pacote.
O pacote das ultimas opções. Lá largado em um canto.
Chega uma hora na vida da gente que, como dizem a ficha
cai, cansamos de esperar. E partimos.
Um novo caminho.
Novos ares.
Velhos amigos.
Velhos sonhos.
Parti para um novo horizonte.
Com a alma lavada. O peito aberto.
As expectativas ficaram no passado.
As folhas do outono caíram.
O inverno chegou.
Os ventos viraram.
As flores tímidas surgiram uma a uma.
As estações passaram.
As lágrimas secaram.
O sorriso voltou.
O olhar voltou a brilhar.
O tempo vira.
Nuvens escuras no horizonte apontam.
O vento está furioso.
A tempestade se aproxima.
A poeira seca irrita as frágeis narinas.
Algumas partículas de areia meu olhar tentam ofuscar. A
irritação é inevitável.
Você então resolveu me olhar.
O banco em que te esperava sentada, agora vazio está.
Corres os olhos pela rua. Está deserta.
Os primeiros pingos de chuva caem. Gelados. Cortantes.
Respingam na alma.
De nada adianta gritar.
Não te ouço.
Perto não estou mais.
Já parti.

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