19 de outubro de 2011

Brisa



 Cálidas mãos sofridas. O suor que escorre dos corpos cansados que lutam para sobreviver ao sistema. As rugas da preocupação que marcam as faces cansadas.
 Os pés cansados que sentem o chão ao pisá-lo, pois o sapato está com o solado gasto, então a sola dos pés se põe a contar as pedras tocadas.
 Os ombros caídos revelam os pesos da vida já suportados.
 A brisa que toca o corpo cansado é um alento para ele que está sob o sol que arde em sua pele.
 A sombra de uma árvore é uma simples miragem em meio às paredes de concreto.
 Mas, nos gestos singelos o brilho do olhar que me ofusca.
 Um corpo cansado que abriga uma alma generosa.
 O olhar perdido no horizonte busca enxergar a esperança perdida em tempos longuinhos quando a brisa reinava nos campos então campinas verdejante.
 A brisa que vem de longe trazendo novo frescor à face exausta, enxugando o suor que encharca a alma, é a mesma brisa que acalma as vidas das pessoas com seu afago singelo.
 Ah! A brisa! Ela que percorre os tempos, os dias, os lugares, as pessoas, as vidas, as vidas das pessoas com carinho.

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