Já
não bastam mais os pequenos
sonhos.
Miniatura torno-me frente os gigantes sonhos.
A janela fechada me impede de ver o sol nascer, mas mesmo assim sei
que ele está
nascendo.
Proclamar meus sonhos aos quatro ventos me transforma em uma gigante
criatura pensante sem medo de ousar.
Preciso mais que um simples não
para me abater.
É preciso
sempre mais.
A música
que inunda meus ouvidos esclarece os pensamentos embaralhados.
O vento que bate em minha face frágil com sutileza se vai.
É preciso
sempre mais que simples ideias genialmente loucas.
Regras já
não me guiam mais.
O incerto me acompanha nessa caminhados por porta retratos inatos.
Abduzir-me, erguer-me, jogar-me ao tempo, é preciso mais.
O pouco já
não me basta mais.
É preciso
mais.
As melodias de outrora destoaram das cores.
É preciso
mais que um arco íris
para devolver a cor furtada pela gravidade.
É preciso
mais que o olhar inocente da criança
pequena aprendendo a ser gente grande.
Justificativas fugazes não
me convencem mais.
É preciso
mais que mentiras jogadas no ar para me devolver a razão.
Contos de fada cansei de esperar, o real é mais emocionante.
Emoções
exploradas e sugadas ao máximo
pelas minhas forças
mundanas.
Um toque que me leve ao céu,
eu sei que é
preciso mais para entrar no céu,
mas chegar à
porta já me basta, por enquanto.
O príncipe
encantado desencantou e surgiu em forma de um amor acidentalmente inesperado.
É preciso
mais.
Mais querer, sentir, correr, pular, pintar, ler, escrever, nadar por
esse todo e nada.
Tudo e nada no mesmo ponto final.
O dia voltará
a ter cor assim que a noite passar.
É preciso
mais que simples dor para acabar com a cor infinita.
Os sonhos em preto e branco também se tornam reais.
É
eu sei é preciso mais.
Os limites das aparências
transpor.
Ser feliz, ser triste, perder-se, encontrar-se.
Do escuro que brota a luz me alimento.
Os impulsos covardes disfarçam
o abandono com frases ousadas e sem verdade alguma.
Para ser eterno pode durar, às
vezes, apenas um segundo.



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