30 de setembro de 2011

O futuro que se distancia



O futuro que se distancia
Às vezes brinco de esconde-esconde com meus medos. As expectativas frustradas que me amedrontam. Inibem minhas ações.
Os porquês é o que nos mantem vivos.
Dúvidas, incertezas, aspirações, inspirações, conflitos entre ter feito o certo ou o errado, analiso os passos dados e receio em continuar a caminhar.
Acertar? Errar?
O que é certo afinal?
Dizem que depende do ponto de vista com que se olha para tudo. Mas e se cada um olha de um lugar diferente, logo, as visões serão diferentes.
Quem eu ouço?
Devo ouvir alguém?
Piso devagar. O futuro é tão incerto.
Quando penso que me aproximo do futuro ele se distancia novamente.
Lá ao longe o futuro é uma miragem.




Em parceria com o Marcelo, um aspirante à escritor\o/

26 de setembro de 2011

Ei, psiu!



O silêncio da noite que nos engole.
Quando você se vê com mãos e pés atados.
O enganador receio da perda a nos atormentar os pensamentos.
Os devaneios que dominam o raciocinar.
Nada mais esmagador que o silêncio a gritar em nossos ouvidos.
As inevitáveis expectativas que se achegam em nós; tão tristes nos congelam as ações. Quando o silêncio se torna mais oportuno que o soar das letras.
As frustrações que teimam em atormentar nossa paz...
A tempestade passou, mas o sol está tardando a chegar...
Está frio...
Esperamos o sol aquecer-nos os olhares...
Estampar o riso gostoso na face amiga, que tranquila sempre nos acalma o espírito, essa paz inexplicável...
Aquela voz que nos traz de volta ao cruzar dos olhares que sem explicação já se entendem.
 Os passos lado a lado, cada pisar, uma certeza: o silêncio já não amedronta mais...
É nosso amigo agora o senhor silêncio.
Foi-se o tempo que o silêncio intimidava.
Ei, psiu! Ouça o silêncio! Ele é quem diz que a paz está dentro de nós, escondidinha...
Silenciam os olhares.
Nada mais há a se falar. Apenas ouvir a respiração a sufocar as teimosas palavras que insistem em abalar o silêncio.


 

24 de setembro de 2011

Ensaio de escritor


 Palavras soltas em meio a pensamentos constantes.
 Dúvidas e incertezas pairam no ar.
 Abro a porta, o silêncio domina o ambiente, quartos vazios, cozinha vazia, as cadeiras abandonadas no canto, a fresta da janela deixa o ar gelado da noite a entrar.
 Um arrepio me percorre o corpo todo.
 As ideias pedem um cafuné e se acomodam no ambiente.
 A porta agora é fechada. Os pensamentos já consomem o espaço antes vazio.
 Acender a luz é preciso para tudo clarear.
 Um olhar iluminador sobre a mente perdida nos devaneios mil.
 Sonhos, medos, frustrações, expectativas, são deixados de lado. Os pensamentos aglomerados, cada um achando um lugarzinho. O aprendiz de escritor vai ensaiando sua escrita.
 Como o toque do condão da fada madrinha, as letras se organizam em palavras.
 As frases vão surgindo no papel.
 O ensaio do escritor discorre pelo tempo e o tempo discorre sobre ele.
 Ele para.
 Passa os olhos pelos escritos. As palavras gravadas no papel timbrado.
 Criador e criatura se contemplam.
 Palavras e frases se internalizam numa conexão.

P.s. Ensaio escrito em parceria com o amigo e também aprendiz de escritor Marcelo, no intervalo de uma discussão pedagógica.

Espaço vazio


Aperto o passo.
A rua está deserta.
O vento corta meu rosto em golpes violentos. Ele arde. O meu nariz arde, sinto-o congelar.
Um gato branco atravessa a noite escura fugindo do frio. A casa rosa, que está com uma luz fraca acessa em um dos cômodos, é o abrigo dele. Ele corre ofegante.
Os devaneios são meus companheiros nessa caminhada gelada.
O tocar dos sapatos na calçada suja é a trilha dessa noite.
Desvio de um degrau.
Ufa! Que alívio alcança o portão de casa.
Recuo a mão ao tocá-lo. Está frio demais.
O frio quase congela a alma.
O porteiro me encara e com certo ar de sarcasmo:
-Até parece que está frio ali fora!
Apenas arco meus lábios ensaiando em um tímido sorriso.
Acelero os passos rumo ao elevador.
Um solavanco me tira por um segundo dos meus devaneios.
Aquela canção gostosa me vem à mente.
Os pensamentos me engolem.
Um aperto no peito.
Uma saudade que bate de leve.
Há um espaço vazio.
Ouço a voz a me dizer:
-Engole o choro menina!
A lágrima cai!
A solidão me assusta.
O elevador para.
A porta branca do corta-fogo está fria também.
A luz do corredor acende-se.
Ali no final do corredor está a porta do meu refugio.
Corro.
 Apressada giro a chave.
Tenho pressa.   
A porta se abre com um leve empurrar.
A luz está apagada, prefiro deixa-la assim mesmo, as luzes da cidade iluminam a penumbra do ambiente.
Na mesa pessoa nenhuma está sentada.
A toalha está com uma das pontas dobradas. Não me lembro de ao certo do por que. Bom talvez o vento que entra uivando pela fresta da janela tenha feito está arte.
O corredor está deserto, escuro. Não sinto medo. Apenas paz. Estou em paz. Tranquila sigo com meus passos.
Na sala o sofá marfim. As almofadas marrons jogadas em desalinho. A janela fechada impede o vento de congelar o ambiente. As cortinas imóveis. Está tudo vazio.
Em um instante parece tudo abandonado. Sem vida. Vazio.
O banheiro sem vida.
A cozinha em um mortal silêncio.
Tudo está no seu devido lugar.
Paro. A porta do quarto está fechada.
Hesito.
Com um leve tocar da mão gelada na porta de madeira, gigante a minha frente, abro ela devagar.
A escuridão me ofusca o olhar.
Nada vejo.
Nada ouço.
Toco o interruptor. Por um instante a claridade me cega. A cama arrumada, o lençol lilás, o travesseiro com letras em vários modelos estampadas, uma leve mistura das cores do arco íris colorem-no. O cobertor, com minúsculos xadrezes em tons de verde e vermelho, dobrado aos pés da cama.
Apoio a cabeça no travesseiro da cor do arco íris.
Ao lado uma cadeira vazia preenche o espaço vazio da parede.
Ela está vazia.
Vejo a miragem de alguém ali sentado a me observar.
Os devaneios me abraçam.
 O cobertor xadrez aquece meu corpo gelado.
O frio já não domina mais meus pensamentos.
O guarda-roupa branco está fechado.
Tudo está em ordem.
A iluminaria que me aquece nessa noite fria e lança feixes de luz sobre meu pensar.
Vejo os espaços vazios.
A poltrona vazia.
Recordo-me de quem ali já esteve a descansar seu corpo cansado.
Lembranças. Passados. Saudades. Sonhos. Pessoas. Emoções. Expectativas. Frustrações. Futuros. Ambições. Mortes. Vidas. Perdas. Ganhos.  Chegadas. Partidas.  Espaços cheios de tanto vazio.


23 de setembro de 2011

Gritos silenciosos

Em silêncio, leia:
“Eu estou depressivo… sem telefone… dinheiro para o aluguel… dinheiro para o sustento das crianças… dinheiro para as dívidas… dinheiro! Eu estou sendo perseguidos pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor… pelas crianças famintas ou feridas… pelos homens loucos com o dedo no gatilho, mesmo policiais, executivos assassinos…” Trecho da carta de despedida de Kevin Carter.

Os tempos em que sair às ruas a plenos pulmões e as suas ideologias expor ao mundo já é sem valia.
Os gestos brutos dos menos gentis já são sem reações.
O sistema desestimula parada de produção para melhores condições serem buscadas.
As circunstâncias silenciam as necessidades humanas de bem estar.
Já não somos mais reles humanos.
Querem que vivamos como se fossemos de algum metal de longa duração. Aí como diria o gaúcho: “Mas bah tchê! Sou de carne!”
Sim, infelizmente para informação do sistema, sentimos frio e fome.
Não somos perfeitos. Alguns o acreditam ser. Destes tenho pena.
Outros, acuados pelos fatos silenciaram-se.
Os que gritam e não são ouvidos, em cada esquina, a cada dia.
Os gritos silenciosos que soam agoniados à sociedade.
O alerta ecoa a cada dia mais silencioso: não estamos em paz!
Os conflitos armados se multiplicam dia após dias, alguns mais outros menos enfocados pela mídia, tudo depende do contexto em que ocorre.
O povo silenciado, sem força física para clamar por ajuda, tem as suas próprias lágrimas já extintas.
O olhar calado perdido no tempo.
A voz esquecida no fundo da alma.
A vida descolorida.
Que mundo é este? Que vida é esta?
Desculpo-me pela ausência neste mundo. É talvez não sejamos dignos desse lugar. A humanidade a sua própria existência a cada dia se delimita mais.
Os gritos silenciosos que agoniam a todos que choram lágrimas secas de esperança.
Andei pensando na vida... e prefiro não me pronunciar, escolho ouvir os gritos silenciosos.
Utópica! Louca! Ou simplesmente eu mesma, uma reles humanas que sente frio e sente fome.




22 de setembro de 2011

A ventania intelectual

Foram-se os tempos de calmaria.
O sistema agora nos pede velocidade.
Os pequenos instantes antes de plena tranqüilidade hoje já nada mais nos acrescem, é o que o sistema nos diz.
Produzir. Dar lucro. Ser totalmente preto no branco.
A vida já não mais é o arco-íris, ela anda tão cinza.
As pessoas andam tão cinzas. Quase totalmente frias, com as emoções congeladas.
Intocáveis em suas “bolhas”.
A emoção de viver foi substituída pelo prazer de satisfazer as exigências do sistema.
As folhas do outono perderam seu glamour.

As primeiras flores nascentes da primavera, tímidas ao verem este mundo como qual está já não tem mais expectadores a assistir sua estréia.
As águas dos rios continuam a descer as ladeiras íngremes.
Os cidadãos já não sabem mais onde apoiar suas ideologias. Nem quais são as suas convicções. Paradigmas são quebrados a todo instante. Evoluímos, sim disto não há dúvida, mas crescemos como seres humanos? Parecemos cada vez mais máquinas. A sociedade dos homens em suas concretas relações do prazer pelo prazer, onde cada um vive na doce ilusão construída pela mídia: só será feliz se consumires de tal marca e ou se obtiveres tal produto.

Conhecida como a era da informação nos traz as tecnologias cada vez mais para nosso viver. As relações já não se baseiam mais em valores, em sua grande maioria, o interesse fala mais alto, o que é muito triste.
Dizem que as pessoas estão mais inteligentes. O conhecimento está ao alcance de todos.
Porém o que vemos é um show da reprodução talvez se mude alguma vírgula e o trabalho já está tido como concluído.
 Mas e o que fizemos nesta furiosa ventania intelectual?
Colorimos os nossos dias com mais rosa e lilás, ou pelo simples comodismo optamos pelo cinza?
Os ventos intelectuais alucinam os olhares, povoam as mentes, e quem se manterá integro nessa onda do descolorido?
 O singelo, simplório, generoso, espontâneo, gesto educado, amigo, de pessoas humanas, sensíveis, com amores e desamores em seus corações, nesta ventania intelectual são raridades.

19 de setembro de 2011

As vidas das pessoas


 Diz a mitologia de várias culturas que os gatos possuem sete ou até nove vidas. Isso por eles terem capacidade de escapar de situações que envolvam risco à sua vida, como quando caem de certa altura atingem o solo apoiados sobre as quatro patas, o que é explicado pelo apurado sentido de equilíbrio, girando rapidamente usando a cauda como contrapeso. E também pelo fato de se adaptar a vida selvagem, quando abandonados em locais distantes da civilização humana, para sobreviver passam a caçar pequenos animais. Todo esse “jogo de cintura” dos gatos é que faz com eles sejam vistos como animais resistentes dotados de várias vidas.
 É mas não são apenas os gatos que tem esse “dom” de se moldarem ao contexto, às exigências da sobrevivência.
 As pessoas também têm mais de uma vida.
 Temos a vida que idealizamos aquela que vivemos em nossa mente.
 A vida que contamos aos outros, sim afinal há outro ser que “molde” a sua vida para ser contada aos demais?
 E por fim a vida que de fato vivemos. A vida nossa de cada dia.
 Diz um poema: “A vida é tão diferente Daquilo que sonhamos Talvez o nosso mal seja acordar!”.
 Quando pequeninos as preocupações do cotidiano mundano nem cócegas nos fazem. Por vezes o que mais desejamos é ser grande, poder andar com os próprios pés. Fizemos planos. Filosofamos com nossos ingênuos sonhos.
 Aí quando você vê já és grande. O mundo dos adultos já é o seu mundo. Passa a vir a tua própria vida e vai vendo os outros viverem as suas vidas. Conhecem-se então as vidas das pessoas e você vive as suas próprias vidas.
 A vida que idealizas em teus pensamentos, em teus devaneios.
 A outra é tua vida de cada dia, aquela em que tu sofres, frustra-se, apaixona-se, sorri, chora, sente-se vivo.
 Já a terceira vida que é um pouco menos benéfica, é a vida contada aos outros. Quantas vezes já te perguntaram como estás e você, pelo simples receio de os outros descobrirem teus medos, anseios, falastes: ‘Estou ótimo!”“, quando na verdade estavas em mil cacos interiormente.
 São os registros ausentes de nossa persona que acabam fazendo com que pouquíssimos nos conheçam. Sim por que dizer que conhece uma pessoa é muito simplório, muitas vezes nem nós próprios nos conhecemos totalmente.
 A grande magia da existência consiste em viver e conviver harmonicamente entre as nossas vidas. Dos registros ausentes partir em busca do conhecimento e da compreensão das nossas ideologias para que então possamos viver a vida plenamente. As vidas das pessoas em bela sinfonia ao viver sua melodia nos trazem.





18 de setembro de 2011

Registros ausentes III


 Os sonhos esquecidos pelo caminho.
A alegria inocente subtraída do viver.
O riso que era fácil agora tão difícil.
Se você soube tudo o que teria que deixar pelo caminho, quando pequenino não teria dito que quando crescesse queria ser que nem este ou aquele indivíduo. 

É você não sabia que as pessoas grandes esqueceram-se dos seus sonhos de infância, das ingênuas ambições, dos grandes projetos que queriam executar.
Que a alegria dos mínimos gestos, dos pequenos acontecimentos, é facilmente desprezível no mundo dos adultos.
Afinal, agora se és finalmente “grande”.
 Conquistastes a tão almejada grandeza. O impacto acontece quando se dás conta que deixou muita coisa pelo caminho...
 Mas isso você não pode trazer de volta à tua vida agora, pois és adulto e tens que agir como tal.
Claro são os ciclos da vida, mas a maneira como vamos viver cada um depende unicamente de nós mesmos.
Ai você se questiona, mas então o que é a vida, o que é a pessoa, o que é vida das pessoas o que elas fazem com sua vida?

17 de setembro de 2011

A casa da boneca



Perfeita. Milimétricamente calculada.
Graciosa. As cores combinado.
Mimosa. As flores na janela.
Aconchegante. Os móveis bonitinhos.
Esperando na janela ela está a aguardar o futuro.
Esperando os sonhos de menina virar realidade.
No horizonte ela espera o príncipe apontar trazido pelo seu elegante cavalo branco.
Sonho da menina que almeja sua vida adulta com os olhos ingênuos e inocentes de quem não vê as maldades do mundo.
Ela cresce.
Conhece a vida.
Descobre o amor.
Aprende a sofrer.
Consegue crescer com as derrotas.
Fortalece-se com as decepções.
Toma consciência da vida no mundo dos adultos. Compreende que os sonhos nem sempre se tornam realidade.
Por mais que insistamos para que tudo seja como queremos a vida vem e prega as suas peças na gente.
Sonhos, que bom tê-los, vê-los se concretizarem, mas, saber se deve que nada é fácil.
Até mesmo os muitos sonhos que mansamente se achegam a nós, alguns nos abandonam ao longo da caminhada.
A casa da boneca que era a inspiração fica tão longe na memória da menina que no corpo da mulher ainda sonha, mas, agora ela já sabe que nem todas as casas têm flores na janela. 

Registros ausentes II



As palavras que não foram ditas. Silenciadas a sete chaves.
Os gestos interrompidos a um toque de se concretizarem.
A canção que tanto quis sair por entre os lábios.
O olhar que insistiu em não se desviar .
As cinzas nuvens que opacam o dia... escondendo o sol.
Nós queremos ser reconhecidos, lembrados, vistos, aplaudidos, mas deixamos que apenas conheçam a nossa aparência. Quem nos conhece de verdade? Quem há de conhecer meus verdadeiros anseios, minhas frustrações mais secretas, meus medos mais apavorantes, quem conhece?
Eu! Apenas eu, e ninguém mais e no que depender de mim ninguém jamais saberá, essa é a nossa estratégia para nos mantermos a salvo do mundo lá de fora, podermos manter nosso mundo invisível aos demais, mas nós sabemos que ele está ali bem escondidinho de todos e tudo.
Mas será que está mesmo?
Aí quando se menos espera acontece aquela situação tão inusitada, tão inesperada e o pavor se abate sobre você, afinal pode acabar descobrindo seus segredos mais secretos, seus registros ausentes pro mundo, mas totalmente presentes para você!
E o que fazer? A saída é se fechar para o mundo, esconder-se de tudo e todos. Ficar, literalmente, como um tatu dentro da sua casinha, oculto ao mundo ao seu redor.
Porém uma coisa não se pode esquecer, podemos ocultar dos outros, mudar a versão de tudo, mas não podemos nos esconder de nós mesmos, nem mentir para nós mesmos, afinal os registros ausentes estão ali bem presentes

Tão genial...tão louca...tão alucinante...


Tão genial, tão louca, tão alucinante.
 Ela é tudo e mais um pouco.
Um pouco de tudo. De tudo um pouco ela tem, ela é...
Por horas parece um chocolate a derreter na boca bem devagar...
Por outras a canção que vem aos teus ouvidos e te traz lembranças, te traz sonhos, os pensamentos mil que se confundem em um mix de loucura...
O recheio que na boca traz um leve alento... O gosto meio amargo ou talvez um meio ao leite... Algum que deixe os vestígios de coco na boca mesmo quando o cacau já se foi.
É até parece a vida...
Em momento você está no céu e em um piscar de olhos o inferno lhe abraça...
Tão genial... Momentos que só vivos podemos vivenciar...
 Tão louca... Coisas inexplicáveis que acontecem...
Tão alucinante... Em um segundo os ventos mudam e você já não sabe mais qual a direção a ser seguir.
Genial, louca, alucinante ela vem te abraça e te carrega para todos os lados, aos quatro ventos você grita o mais alto que conseguir!
Mas e quem te ouve????
Há alguém aí?
Genial, louca, alucinante... É essa é a nossa vida, a minha vida, a tua vida, a vida do outro, e como um delicioso chocolate não nos cansamos de experimentá-la, senti-la nos fazer sentirmos vivos!

16 de setembro de 2011

Registros ausentes



 Cores, sabores, pessoas, amores, desamores, devaneios, pensamentos mil.
Tantas coisas, objetos, sujeitos, acontecimentos, tanta vida que fica em registros ausentes.
Sabe-se que há tanta vida lá fora... E como diz a canção “e aqui dentro sempre/como uma onda no mar”.






 Momentos gravados como flashes em nossa mente.
Fotografias que não existem.
Letras não escritas.
Palavras não ditas.
Sentimento não declarado.
Magoa silenciosamente guardada.
Sensação reprimida.
Sonhos que recuaram.



 Quanta coisa enxergamos, sentimos, ouvimos, convivemos, vivemos e que ficam em off na nossa vida.
Por comodidade, por ideologias que nos são incutidas pela sociedade, por medo, por indiferença, por fraqueza, por covardia, por apatia, por desapego, por frieza, por impassibilidade, por insensibilidade, pode não ser apenas um fator, mas mais de um que nos leve a ter e manter tantos registros ausentes.






Palavras que permanecerão caladas na garganta.







Sonhos que continuarão sendo apenas sonhos, em sua viajem, silenciosa para os outros, por nosso consciente, mas eu sei que eles continuam ali e cada pouco dançam frente os meus olhos.

A canção ouvida no silêncio da noite... A alma tenta vir conversar com a gente cara a cara... e aí o que você faz? Foge... Corre o mais rápido possível... Para o mais longe que teus pensamentos conseguem te levar... Os registros que ficam ausentes...
 O silêncio... Bendito amigo confidente que nos ouve e vai registrando os registros ausentes...




13 de setembro de 2011

É a gota da água

Ela que cai mansamente, gota por gota. Por ora se subdivide em outras gotas menores. Em outra se juntam e o copo ao encher a derramar o excesso ele se põe.
Tudo o que é demais um momento qualquer de alguma forma ao equilíbrio precisa retornar.
Comparar-se pode ao nosso viver, aos desencontros de idéias, as gotas são como pequenas doses de essências, das mais variadas entre elas a flexibilidade, a compreensão, que vão dando toque ao perfume da nossa convivência.
É preciso saber dosar gota a gota cada essência. Sem exagerar em uma, não deixar a desejar em outra.
Encontrar a fragrância certa, acertar na borrifada dela em nossa pele não é fácil. Mas não é impossível.
É como a gota da água. De essência em essência vamos acertando o aroma da nossa fragrância.

Diferentes e indiferentes

Por vezes parecemos tão parecidos. Chegam até a nos chamar de idênticos.
Quanta audácia.
Parecidos? Matematicamente apenas algumas características em comum. Talvez uma ou duas ou até três.
Idênticos? Nem os clones das bonecas de porcelana são 100% idênticos. Olhe bem alguma pintinha há de ter em alguma.
Somos ao mesmo tempo tão diferentes e indiferentes às nossas diferenças.
Querem que sejamos iguais.
Mas como se ao mesmo instante em que temos características em comum há tantas peculiaridades entre os iguais.
Tão diferentes e indiferentes nesse universo de diversidades.

Já diz o ditado “Cada um cuida da sua”


O século XXI se apresenta como a era da informação. O conhecimento percorre o mundo a uma velocidade que chega a ser alucinante.
Na fascinante época em que ter acesso a tudo e a todos é quase 100% possível, ainda existe gente que se preocupa mais em “noticiar” a vida alheia, pelo simples prazer de saber e poder informar o que se passa no cotidiano particular de cada individuo. Mesmo isso não lhe propiciando qualquer acréscimo intelectual e ou algo que lhe agregue algo de significativo em sua própria vida.

Na maioria das vezes, esquece-se de olhar onde os seus próprios pés estão pisando. Isso por estar demasiado empenhado em não perder de vista o outro que está sob a vigilância do seu olhar.
Chega a ser frustrante ver que perdem seu tempo com algo tão improdutivo.
 Que ocupassem seu precioso tempo lendo um livro de algum gênero literário que lhe desperte o interesse pela leitura. Ou quem sabe praticando alguma ação social.
Ocupar-se com algo que dê alguma valorização à sua existência. Não apenas existir, mas viver a vida em sua plenitude.
Afinal como diz o ditado popular “cada um cuida da sua”.

No aconchego dos braços do bem querer.


Aninhar-se nos braços que te envolvem enchendo a alma de tranqüilidade. Nada há de se querer nada a mais que isso.
Os problemas se dissolvem no ar, sumindo como as bolhas de sabão que ao bailar um pouco cansam de brincar e aos pouquinhos dissipam-se restando apenas a lembrança das bolhas pelo ar a deslizar.
Assim como a bolha de sabão, em uma rápida apresentação aos nossos olhos, um momento mágico se eterniza em imagens que guardadas em nossa mente ficarão.
É no aconchego dos braços do bem querer que se descobre o bem querer.
Muito mais do que uma simples opção entre bem querer ou mal querer.
Aconchegar a alma em um manto de silêncio.
Os pensamentos que voam.
Voam e no final se aconchegam nos braços do bem querer.
Há de se querer algo mais?
Nas coisas simples da vida, do viver, do cotidiano, é encontram-se as verdadeiras preciosidades do viver.
Como diz a canção: viver e não ter a vergonha de ser feliz!