23 de setembro de 2011

Gritos silenciosos

Em silêncio, leia:
“Eu estou depressivo… sem telefone… dinheiro para o aluguel… dinheiro para o sustento das crianças… dinheiro para as dívidas… dinheiro! Eu estou sendo perseguidos pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor… pelas crianças famintas ou feridas… pelos homens loucos com o dedo no gatilho, mesmo policiais, executivos assassinos…” Trecho da carta de despedida de Kevin Carter.

Os tempos em que sair às ruas a plenos pulmões e as suas ideologias expor ao mundo já é sem valia.
Os gestos brutos dos menos gentis já são sem reações.
O sistema desestimula parada de produção para melhores condições serem buscadas.
As circunstâncias silenciam as necessidades humanas de bem estar.
Já não somos mais reles humanos.
Querem que vivamos como se fossemos de algum metal de longa duração. Aí como diria o gaúcho: “Mas bah tchê! Sou de carne!”
Sim, infelizmente para informação do sistema, sentimos frio e fome.
Não somos perfeitos. Alguns o acreditam ser. Destes tenho pena.
Outros, acuados pelos fatos silenciaram-se.
Os que gritam e não são ouvidos, em cada esquina, a cada dia.
Os gritos silenciosos que soam agoniados à sociedade.
O alerta ecoa a cada dia mais silencioso: não estamos em paz!
Os conflitos armados se multiplicam dia após dias, alguns mais outros menos enfocados pela mídia, tudo depende do contexto em que ocorre.
O povo silenciado, sem força física para clamar por ajuda, tem as suas próprias lágrimas já extintas.
O olhar calado perdido no tempo.
A voz esquecida no fundo da alma.
A vida descolorida.
Que mundo é este? Que vida é esta?
Desculpo-me pela ausência neste mundo. É talvez não sejamos dignos desse lugar. A humanidade a sua própria existência a cada dia se delimita mais.
Os gritos silenciosos que agoniam a todos que choram lágrimas secas de esperança.
Andei pensando na vida... e prefiro não me pronunciar, escolho ouvir os gritos silenciosos.
Utópica! Louca! Ou simplesmente eu mesma, uma reles humanas que sente frio e sente fome.




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