25 de agosto de 2012

Reticências


Palavras secretas
Lágrimas
Lágrimas de amor
Vidas ausentes
Pessoas ausentes
De mãos dadas
Afinando as cordas do coração
Compondo melodias
Desenhando destinos
Sonetos de desejos suspirados pelos ares
Poemas de saudades
Poesias de amantes, enamorados enquanto que dure
Esperar já não é a melhor solução
Segure a mão de seu amor, olhe nos olhos, dê um sorriso tímido, discreto, e caminhem lado a lado. Aprender que para amar precisamos doar um pouco de nós e receber um pouco do outro.
Com o corpo coberto pelo vestido da rainha, calço o sapato da cinderela.
Máscaras quebradas
Segredos do passado
Tristes olhos que me contemplam
A água cai contínua
O vento sopra
O suor escorre pela face franzida
Os corpos pesados de desejo
Arco íris descolorido
Música sem batida
Vida sem dor, sem ver, sem cor, sem ter
Vida de vidas
Vidas da vida
...

4 de agosto de 2012

Decifrando códigos


A agonia corrói a alma.
Vejo a paz ao alcance das mãos, mas, não consigo tocá-la.
Os sentimentos mais certos parecem enfraquecidos.
O que está havendo?
Seria o fim dos tempos?
Inicio de novos tempos?
Apenas os bons tempos se firmando?
Agora só desejo teus braços para me proteger.
Sinto-me a menor das formigas que caminham sobre a terra seca, levantando poeira.
A garganta está seca.
O vento parou.
A noite silenciou.
Meu coração pulsa, agoniado.
Tudo que era certo parece tão incerto.
Meus pés continuam frios, mesmo enrolados em cobertas fumegantes em chamas.
As brasas estão a gelar os corpos.
Cubos de gelo queimam as pétalas de todas as rosas brancas.
O tempo parou?
Os pássaros silenciaram!
A noite se cala.
A vida incógnita constante.
Passo os suspiros que me restam decifrando códigos enigmáticos.
As cordas do violão já não emitem som qualquer.
As mãos calejadas tremulam e fraquejam ao tentar manter entre seus dedos o lápis preto.
A vida pulsa em minhas veias. Sinto cheiro de vida. Sinto cheiro de amor. Sinto cheiro de calor. Sinto medo. Sinto abafamento. Sinto esperança. Sinto frio. Sinto estar viva.
Sei que posso não decifrar os códigos da vida, das pessoas, das vidas das pessoas. Mas, são apenas códigos. E os códigos não me impedem de viver.
Até minha mente cansar continuarei decifrando códigos.







 p.s. Dedicado, em especial, para as pessoas simples, que ingenuamente tentam decifrar os códigos da vida, das pessoas, das vidas das pessoas.

Busco


Promessas quebradas no silêncio do olhar.
Desculpas estampadas em frágeis faces.
Mentiras guardadas no fundo da alma.
Temer a felicidade como o açúcar teme a chuva.
Saber o significado das tempestades e vendavais.
Insignificações que valem muito.
Palavras ao vento que o vento leva.
Aspas que não realçam nada.
Interrogações eternas para perguntas já respondidas.
Reticências aonde o final já chegou são em vão.
Espaços sem lugar.
Parágrafos sem sentidos.
Capítulos incompletos.
Entrelinhas cheias demais.
Rodapés vazios de vidas.
Formatações fora de qualquer padrão.
Alinhamentos encurvados.
Fontes únicas.
Tamanhos milimétricos.
Cores monocromáticas.
Arranjos desarranjados.
Melodias melosas.
Exibições indiscretas.
Revisões de passados não vividos.
Referências nada ideais.
Busco coisas sem explicação.
Busco, apenas busco.
Mesmo que a chuva cai continuarei a buscar.
Busco o eterno terminável.
Enquanto a canção ecoar em minha mente, continuarei.
Busco a fórmula para todas as perguntas responder.
Busco sonhos insonháveis.
Pesadelos que não tive, mas que atormentam a alma límpida.
Que o silêncio continue silencioso mesmo quando minhas ideias gritarem.
Busco. Apenas para não parar.
Busco viciosidades simples.
Busco as vidas, as pessoas, as vidas das pessoas que vi na bola de cristal.
Busco a minha vida.
A nossa vida.
Busco.


3 de agosto de 2012

Adiante


Transcreva sua alma para o papel.
Esvazie a mente de rascunhos.
Os lápis já estão todos quebrados, não adianta rabiscar, agora é em vão.
As tintas secaram.
Os pinceis enrijecidos já não percorrem mais as telas brancas.
Invento sonhos que guardo em malas coloridas.
Jogo risos pela janela.
Cantarolando canções de outrora, falando de outras vidas, de outras pessoas, da vida de outras pessoas.
Procuro a canção que fale de mim, que fale de nós.
Procuro almas em corpos vazios.
Fixo o olhar nos céus, poderia algo de lá despencar?
Adiante na próxima esquina quem sabe encontre outras vidas.
O chão está limpo, os pés descalços percorrem os ladrilhos suavemente em um leve balé.
Poderia repetir sentimentos?
Poderia igualar frustrações e felicidades?
Rabisco a alma no papel, para esvaziá-la.
Quero no mais raso dos riachos as mágoas afogar e a alma banhar em águas cristalinas.
Canções que ecoam do vazio.
Vazio cheio de vazios.
Vazios vazios de tantos vazios.
Vazios e vazias que andam sem rumo.
Estradas infinitas, diversas, tempestuosas, tranquilas, coloridas, incolores, doces, azedas, palpáveis, inatingíveis, descritíveis, inexplicáveis, simples, complicadas, estradas...
Dizem que a esperança foi a última que morreu, pois bem, então, a partir deste momento meu nome é esperança!
Espero o corpo trêmulo ser percorrido por infinitos arrepios.
Abro os olhos e deixo a luz ofuscá-los.
Deixo o vento bagunçar loucamente os cachos dos meus cabelos.
Adiante na próxima esquina quem sabe encontre outras vidas. Ou simplesmente a minha vida que vi na bola de cristal. A nossa vida.


2 de agosto de 2012

Escolhendo melodias

O riso se torna superior a lágrima
O sentimento que supera todas as distâncias
O medo afugentado pela coragem
A nobreza mais valiosa que qualquer diamante
A primavera que derrete o gelo do inverno
A canção que ocupa os espaços vazios
As vidas corridas, vividas de sol a sol e que em cada gota de chuva que cai se renova.
Tiro os óculos escuros para ver as cores que inundam a visão.
Busco razões para não pensar no amanhã.
Quero o hoje, meu, meu hoje, hoje meu.
Vasculho a mente atrás de ideias entorpecentes.
Reviro baús ao mesmo tempo em que arrumo as gavetas mais bagunçadas.
Fotografias maltratadas pelo tempo cruel.
Os pássaros voltam para casa.
E eu sei que voltarás aos meus braços.
Hoje passei o dia escolhendo melodias.
Melodia para todas as manhãs.
Melodia para todas as tardes.
Melodia para todas as noites.
Melodia para todas as madrugadas.
Melodias de vidas, de pessoas, de vidas de pessoas repletas de melodias.
Há as horas em que as melhores melodias são as que trazem as lágrimas para mais perto dos cílios.
Há outras horas em que a melhor de todas as melodias é o riso que inunda a face cansada.
Quantas faces, quantas melodias....
Quantas vidas...
Quantas pessoas....
Quantas vidas de pessoas sem melodia!
Que os céus derramem a maior das tempestades e que as melodias jorrem tal qual a mais torrencial das chuvas, alagando as vidas de melodias.
Melodias que nos façam dançar na chuva de pés descalços.
Que o melhor beijo seja o beijo dos corpos molhados que conversam em silêncio.
Apenas hoje, que a madrugada tarde a chegar.
Agora só quero ficar perdida em teu olhar.
Que tua respiração seja o mais puro dos ares.
Que os lábios compartilhem das mais belas e secretas melodias.
Escolha a melodia que combine com a sombra delicadamente desenhada sobre as pálpebras.
Escolha o ritmo do batom favorito.
Escolho minhas melodias pelo que elas me dizem, mesmo que eu não entenda uma frase completa, por vezes apenas palavras soltas bastam.