31 de março de 2012

Arquivo morto


Os sonhos ainda vivem em algum canto do meu ser. Os pés mesmo cansados continuam a pisar na terra com pedregulhos.
O dia que amanhece gris me deixa em paz. O sol pode não brilhar hoje, mas, eu sei amanhã ele brilhará para a gente poder ver o por do sol.
Vasculho na mente, incansavelmente, o arquivo morto.
Sonhos enterrados a sete palmos a baixo da superfície límpida.
Frustrações esmagadas camufladas em um rascunho qualquer.
Fotografias não reveladas. Em cada verso uma história de amor e em outra uma de desamor.
Promessas organizadas em falsas ordens tal como a veracidade das mesmas.
Diários com páginas em branco. Reparo. Migalhas de uma página indicam que uma folha foi arrancada. O que nela estava escrito agora é um mistério absoluto.
O arquivo cheio de coisas que um dia foram vivas, que eram a minha vida.
Continuo viva. É que tem coisas que simplesmente deixei arquivadas. O passado já está desbotado. Deixo o arquivo morto em paz.
Abro os olhos, o sol está nascendo. Seus olhos continuam fechados em sono sereno. Um cafuné para despertar. O aroma do café amargo desperta o olfato. Seu sorriso me dá bom dia. Um beijo para selar a felicidade. A vida me espera. Eu vou viver. 

17 de março de 2012

POSSIBILIDADES




Poder é o que me permite sonhar.
Poder sonhar em preto e branco e viver em cores multicoloridas.
Poder sorrir quando lágrimas insistem em cair.
Caminhar quando o corpo pede uma pausa.
Amar mesmo quando a razão diz para me afastar.
Poder, e por poder, me sentir uma criatura com superpoderes inesgotáveis.
Poder escrever mesmo que ninguém vá ler uma vírgula sequer.
Ler do mundo o que ainda ninguém escreveu.
Poder ter possibilidades mil de viver todos os sonhos que quiser.
Respiro fundo. Nuvens de tempestade se aproximam velozes. O sol já não brilha mais.
A canção no rádio silenciou.
Os sonhos esvaziaram a mente.
Os corajosos fugiram a galope.
Poder já pode não ser possível mais.
Queria tanta coisa ainda e agora parece nada mais me restar.
Vidas que não vi passar são as mesmas com que um dia ousei sonhar.
Gostos que ousei provar já não me agostam mais o paladar.
Eu podia.
Hoje continuo podendo.
Por quanto tempo não sei. Apenas sei que neste momento posso.
Possibilidades de poder que me alimentam a alma e entorpecem a mente de ideias genialmente loucas.
Preciso mais que simples vendavais para me afastar do que me fortalece.
Poder chorar e rir no mesmo instante.
Poder viver a vida da gente com as pessoas que a gente escolher. Pessoas que completam a vida da gente e vem apenas a acrescentar. Pois o que vier para diminuir minha vida não vou permitir.
A montanha mais alta posso escalar do mesmo modo que a pequena pedra que surge em meu caminho contornar.
Possibilidades de mudar minha vida quando o dever me permite buscar a felicidade.
Talvez o verde nem sempre seja siga em frente. E o vermelho ao invés de gritar para parar diga de mansinho continue. Possibilidades de poder tudo e nada ao mesmo tempo.
Poder sonhar tudo e fazer nada, ou sonhar nada e fazer tudo.
Possibilidades, meras possibilidades.

11 de março de 2012

Devassando sonhos




 Reflexos de pessoas correndo para o perigo alucinadas. Em busca do paraíso ignoram as gotas de suor que caem pelo rosto. O paraíso existe em seus sonhos em preto e branco.
 Personagens imaginários ganham vida em devaneios infinitos.
 O céu que se tinge de rosa grená é o mesmo que resplandece o azul imperial em outrora. Olho para o céu: será ele o meu limite?
Não! Já transpuseram os limites dos céus. A imensidão vazia é meu limite infinito.
 Viro e reviro mapas em busca do caminho para os meus sonhos. A bússola não aponta mais para o norte.
 Não me desespero. Talvez deva seguir para o sul. Ou permanecer aqui?!
 A canção é a mesma há três horas.
 O sol continua quente.
 De que me adiantam os sonhos se não consigo vê-los concretizados?  Provavelmente deve ser para que eu não me contente em olhar para o céu e parta para tocá-lo pessoalmente.
 Tocar o céu...
 Uma ideia genialmente louca...
 Devasso os sonhos para separar as ideias loucas das ideias perfeitas.
 Porém as ideias perfeitas são milimetricamente calculadas perfeitas, mas não tem a emoção das ideias loucas que de tão loucas fascinam sós de pensar nelas.
 Loucas como a vida, os sonhos da gente, os sonhos da vida da gente, devassos sonhos que nos instigam a mudar de passos, correr para mais perto do céu... Buscar o finito limite dos céus e transpô-lo loucamente.
 São os sonhos em preto e branco que me permitem pintá-los com as cores que quiser. E caso queira, inclusive, repintá-los. Sim, os sonhos em preto e branco também se tornam reais.
  Sonhos refletidos no olhar perdido entre as nuvens.
 Preso na gaiola do medo tardo a ter meus sonhos coloridos.
 Rabisco na parede preta meus sonhos brancos.
 Tal qual um contorcionista, dobro-me dentro de uma mala e parto para o paraíso em que meus sonhos ganharão cor. A viagem é longa, mas o sol me acompanha fiel. Perco o medo e abro os olhos. Tudo em volta agora tem cor.       Os sonhos já podem virar realidade. Ai chega a hora de sonhar de novo e de novo. Antes que o dia acabe.


10 de março de 2012

Fatos da vida da gente



Recordo-me dos contos de fada que eram lidos para mim na infância. A vida perfeita. O “felizes” para sempre pareciam tão simples de se concretizarem.
Cresci aprendi a gostar de rock e descobri que o feliz para sempre nem sempre é para sempre.
O mundo dos adultos que parecia tão fascinante hoje me causa medo. A infância era tão segura.
Benefícios e malefícios pesados em uma balança que nunca se equilibra. Ora pende para um lado, ora para outro.
Caímos. Levantamos. Erramos. Aprendemos.
Somos pessoas fantásticas, pois mesmo feridas nos mantemos em pé. Mesmo que me tirem o chão continuarei a caminhar, passo a passo.
Caso a lâmpada queime, com uma vela seguirei iluminando meu caminho.
Mesmo que o caminhar seja solitário não pararei. Por que as pessoas são fantásticas mesmo que vida tente nos derrubar continuamos, mesmo que rastejando.
Que os fatos da vida da gente nos permitam mostrar a quão gente somos. Tempestades e brisas todas passageiras da vida da gente.