Os sonhos ainda
vivem em algum canto do meu ser. Os pés mesmo cansados continuam a pisar na
terra com pedregulhos.
O dia que
amanhece gris me deixa em paz. O sol pode não brilhar hoje, mas, eu sei amanhã
ele brilhará para a gente poder ver o por do sol.
Vasculho na
mente, incansavelmente, o arquivo morto.
Sonhos enterrados
a sete palmos a baixo da superfície límpida.
Frustrações
esmagadas camufladas em um rascunho qualquer.
Fotografias não
reveladas. Em cada verso uma história de amor e em outra uma de desamor.
Promessas
organizadas em falsas ordens tal como a veracidade das mesmas.
Diários com páginas
em branco. Reparo. Migalhas de uma página indicam que uma folha foi arrancada.
O que nela estava escrito agora é um mistério absoluto.
O arquivo cheio
de coisas que um dia foram vivas, que eram a minha vida.
Continuo viva. É
que tem coisas que simplesmente deixei arquivadas. O passado já está desbotado.
Deixo o arquivo morto em paz.
Abro os olhos, o
sol está nascendo. Seus olhos continuam fechados em sono sereno. Um cafuné para
despertar. O aroma do café amargo desperta o olfato. Seu sorriso me dá bom dia.
Um beijo para selar a felicidade. A vida me espera. Eu vou viver.





