18 de julho de 2016

Dias de outono

É chegado o tempo em que tons de marrons e alaranjados cobrem a copa das árvores
As folhas gritam que um ciclo está a se fechar
A brisa já está mais calma
Enquanto as folhas caem sopradas pelo vento, um novo ciclo se inicia
A vida está ali
As folhas vivem
As arvores vivem
Estas precisam deixar as folhas irem para que novas cheguem e lhe abriguem do sol no próximo verão
Dias de outono são dias nos quais as arvores abrem mão do seu orgulho para se despirem, para se recriarem, [re]significarem, produzirem novos sentidos
Se a árvore for orgulhosa não abrirá mão de suas folhas
Porém se deixar o orgulho fora de foco poderá olhar para o essencial, ver suas raízes alicerçadas ao chão e ao olhar para o lado poderá ver outra árvore a querer compartilhar dos dias de outono
Talvez, até pelos próximos outonos...



5 de julho de 2016

Olhares


Olhos nos olhos
Silêncio que paira no ar
A serenidade reina
Já não assusta mais o olhar que me fita
O silêncio tanto a dizer
Os olhos nos olhos
Os corpos não precisam se tocar

O desafio é desvendar o que os olhos dizem
Ou simplesmente deixar-se encantar
O silêncio torna-se aconchego
Há momento em que palavras não são necessárias
A vontade de aproximar-se mais daqueles olhos converge estonteante
Dizem os poetas que são os olhos a janela para a alma
Talvez o sejam
Talvez
Não se preocupe em comprovar teorias, muito menos poesias

Permita-se compartilhar do silêncio e aconchegar-se naquele olhar

As pessoas têm dessas coisas²


De...
Deixar-se estar na zona de conforto
Orgulhar-se da sua autossuficiência
Permitir-se estar em liberdade
Privar-se de compartilhar risos fáceis no silêncio de um olhar
Mover-se para longe do que se faz bem
Roubar-se para si em um cárcere privado
Orgulhar-se de não precisar de ninguém para ser melhor
Melhorar-se para os outros
Dividir-se para o irracional
Diminuir-se para as qualificações
Multiplicar-se em defesas contra ao compartilhamento
Somar-se a outro inteiro
Permitir-se compartilhar
Permitir-se ser recíproco
Deixa-se ser gostado
Gostar-se por gostar
Reciprocidade
As pessoas têm dessas coisas de querer completar-se com outros quando só dois inteiros conseguem compartilhar da reciprocidade
As pessoas têm dessas coisas de ter medo do recíproco, do deixar o orgulho de lado e permitir-se compartilhar o bem-estar envolto em reciprocidade
É...
        As pessoas têm dessas coisas que não cabem em um texto, nem livros ou teorias...
                São complexas sem suas simplicidades

                Simples em suas complexidades...


27 de maio de 2016

Silêncio

No princípio era o silêncio.
Chegou o primeiro ruído.
O segundo sussurro.
O terceiro olhar.
Ah aquele olhar que tanto dizia!
Chegou o quarto som, o roçar das peles.
Almas que preenchiam o corredor de vozes.
Vozes que se calam.
O quinto é o estrondo de corpos na parede.
O sexto são os sonhos que se lascam ao tocarem o chão de mármore gelado.
No sétimo encontro o fim, o princípio do fim.
E no fim é o silêncio.
Silêncio que me consome.
No princípio era o silêncio.
No fim era só o silêncio.
O princípio e o fim se foram.
Resta...

            ... o silêncio

Extremos

Esses olhos que já viram pontes e estátuas
Já não conseguiram seguras lágrimas que teimaram em cair
Há dias que os medos cegam
A dor, às vezes, dá sinais de estar bem perto
Parece querer ter certeza que ainda é capaz de produzir algum efeito
Frio e calor percorrem o corpo em uma maratona alucinante
Parecem querer ter certeza de que todos os tecidos ainda os sentem
Arrepio e suor se misturam
Sensações, sentimentos, emoções
Tudo e nada
Início e fim
Preto e branco
Doce e amargo
Lágrima e sorriso
Triste e feliz
Vivo e morto
Quanta coisa cabe no “e”?  
Entre os extremos é que a infinitude acontece.