26 de abril de 2015

Lápis

 Tenho dois lápis que brilham.
 Eles adoram dançar ao som da música que ecoa pelo corredor.
 Tenho um lápis que não brilha.
 Ele também quer seguir o embalo da música que chega aos seus tímpanos. 
 Um ritmo frenético toma conta do papel que deseja ansioso os rabiscos sobre sua superfície branca.
 O papel chega a desejar que os três lápis dancem sobre sua superfície branca ao mesmo tempo, assim o esboço não demora tanto a ser gravado em suas curvas invisíveis. 
 Os pensamentos rodopiam tal um furacão de escala 7; o papel frenético chama os rabiscos; os lápis que brilham de tanto brilhar fazem o lápis que não brilha se sentir ofuscado.
 Tenho três lápis. Um papel. Uma música que vem do corredor. Um furacão de pensamentos soltos. E duas mãos. Mas consigo escrever com apenas uma delas. Logo, um lápis me basta. Mas não sei quando vou precisar dos outros dois lápis. Uma reserva sempre é recomendável. Assim, como reservar alguns pensamentos para o próximo rabisco do lápis.

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