26 de abril de 2015

Dias...

 O dia me chama. A noite ainda paira sobre o meu corpo inerte.
 Os raios de sol penetram a fresta da janela amarela.
 As estrelas ainda brilham no canto escuro do guarda-roupa cor de marfim.
 A cidade acorda.
O quarto adormece.
 Os sonhos se espreguiçam, 
 Os pesadelos se aconchegam.
 A vida quer pulsar, e vai pulsar assim que o medo deixar de paralisar.
 Aquele medo bobo que insiste em teimar.
 De tão teimoso até sua identidade já perdeu.
 Seu nome não se sabe.
 Seu endereço é desconhecido.
 Seus vestígios ainda se fazem sentir.
 Não se vê.
Só se sente.
 Presença ausente.
 Sem cor.
 Sem sabor.
 Somente dor.
 A dor do desconhecido que insiste em chegar, seja dia, seja noite.
 Haja raios de sol fulminando ou estrelas cadentes a brilhar.
 O lápis que brilha em tons azuis rabisca no papel os vestígios.
 De dias gris. 
 De dias normais.
 De dias que amanhecem com os sonhos que acordam em um quarto que insiste em permanecer dormindo.
 A cor do quarto é amarela.
 A cor da vida é um arco iris.
 A cor dos dias...

                                                                                                                                           ... essa é da cor que eu quiser.


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