A xícara que hora atrás
continha o chá quente, agora cheia de ar frio está.
A mente antes cheia de
planos mirabolantes para salvar o mundo, especialmente salvar as pessoas das
artimanhas safadas e traiçoeiras das vãs relações sociais dos seres da sociedade,
mantem-se agora, por instinto de sobrevivência em uma mente egoísta.
Cansada de lutar, chorar,
sofrer, batalhar, buscar, correr, rastejar, calejar as mãos por outros que nem o
olhar te dispensa.
Salvar o mundo?
Salvar as pessoas?
Apenas, simplesmente, apenas,
amenizar as angústias e dúvidas dos outros, trabalhar pelo outro, ser pelo
outro para o outro seja e tenha algo bom.
É possível que o que se
julgue bom para o outro, para ele de nada lhe interesse. Nem a sua curiosidade desperta.
O ar frio que preenche a
xícara é o mesmo que preenche o espaço deixado pelos mirabolantes na mente de
outrora.
Queria ser o rei da
floresta, com um rugido tal qual do Rei Leão!
Queria ser o malabarista que
no alto da bicicleta de uma roda só faz os malabares dançarem livremente pelo
espaço acima da sua cabeça.
Queria tanto. Queria nada.
Querer. Ter. Ser.
A xícara quer ser lambuzada com o mais cremos
chocolate quente de que se têm notícias por estas terras.
Porém, agora o ar frio a
preenche.
Mas, ela não cansa. Espera
paciente, que o filtro dos sonhos que balança na janela filtre alguns sonhos
legais que a preencham de frescor novo. Frescor dos sonhos que andam esquecidos
debaixo do travesseiro.

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