27 de maio de 2012

Talvez seja...


...talvez as emoções não sejam as mesmas, talvez as razões não sejam as mesmas, talvez os sentimentos não sejam os mesmos, talvez as expectativas não sejam as mesmas, talvez meras possibilidades...
Talvez seja eu que veja emoções onde apenas há razões.
Posso sentir razões que não tem sentimento.
Posso querer o que não queres.
Posso ser o que sou. Posso ser o que não queres.
Posso tudo e posso nada.
Ser e estar, ou simplesmente permanecer.
O que me consola é o que me sustenta.
Meras possibilidades.
A incerteza me acompanha dia-a-dia.
Talvez minha lágrima seja teu sorriso, talvez teu sorriso seja minha lágrima, talvez teu querer seja não seja meu desejo, talvez minha dor seja tua alegria, talvez tua paz seja minha tormenta, talvez somos impares tentando ser pares, talvez sejamos imperfeitos tentando ser perfeitos, talvez sejamos tristes tanto ser felizes, talvez meras possibilidades.
 É possível que sejamos tudo e nada, é possível que não sejamos.
Talvez, uma mera possibilidade.
Talvez um seja a noite e outro o dia, talvez sejamos sol e chuva, terra e vento, água e pedra, doença e cura, lápis e papel, pés e mãos, sentimento e razão, mentira e ingenuidade, verdade e verdade, talvez meras possibilidades.
Talvez seja apenas quem pela janela olha as vidas que passam, as pessoas que passam, as vidas das pessoas que passam.
Talvez seja devassa.
Talvez seja santa.
Talvez apenas mais uma estranha.
Talvez seja ou talvez não seja.


E era isso

Como bala de goma com infinito gosto de quero mais...
O abraço que me envolve me entorpece de serenidade.
Ouço a respiração.
Sinto o coração que pulsa.
Onde antes o frio estava agora o calor das razões e emoções nos aquece.
O aroma suave.
O afago gentil.
Duas almas que conversam em silêncio.
Assuntos impares, vozes alteradas a logo o riso reina solto.
O olhar silencioso que tudo diz.
Raramente todas as pétalas das flores de um ramalhete são homogêneas.
Algumas, já murchas, exalam a fragrância dos tempos, enquanto que a belas viçosas não se cansam de brilhar, robustas, elegantes.
O rosa que se torna bordo.
O branco que se torna amarelo.
O tempo que se torna história.
 O abraço que para o sempre se fez hegemônico.
E era isso, com o virar das páginas, os personagens mudam de feições, mudam de gosto, de cheiro, mas continuam personagens de muitas histórias como a bala de goma com infinito gosto de quero mais. 

Coisas de outono


A sala está vazia.
As mesas e cadeiras alinhadas, com exceção de duas mesas e três cadeiras que não estão alinhadas com as demais.
As cortinas suavemente indicam que o vento que passar.
Vozes ao longe pronunciando palavras quaisquer em um idioma qualquer se tornam murmúrios indecifráveis.
A mente viaja entre espaços e tempos múltiplos.
Dois apagadores azuis singularizam o ambiente.
Passado e presente revoltos em um redemoinho de ideias.
Possibilidades que assustam.
O cheiro do café quentinho chega ao olfato, quem sabe um pedaço de chocolate meio amargo mansamente descendo para o fundo da caneca e sendo encoberto vagarosamente pelo café quente, é uma boa sugestão para esta tarde onde o verde e o laranja do outono passeiam pelos campos e campinas embalados pelo vento gelado que sopra veloz. Mas, isto apenas se for outono, pois são coisas de outono.


19 de maio de 2012

CONFUSÕES



Tempo que se torna história.
Lágrimas que se tornam risos.
Sonhos que se tornam realidade.
A ventania que volta anunciando a chuva.
Marcas de passos na areia mostrando que não parei de caminhar.
O verde e o laranja que se confundem nos dias de outono.
As tristezas e as alegrias que se fundem em um olhar sereno.
Medo e vida lado a lado cutucando as pessoas para olharem para as suas vidas.
Pessoas e vidas, vidas e pessoas, confusas, únicas, dinâmicas e solitárias. Tantas peculiaridades e tantas confusões.