16 de dezembro de 2011

AS PESSOAS TÊM DESSAS COISAS


 


 Sonhos que se tornam realidade, por mais improváveis que parecessem aos meus olhos.  Nos próprios sonhos acreditar.
 As pessoas têm dessas coisas de acreditar no improvável, mas não crer quando veem se concretizar.
 O medo de cantar a canção mais inocente do mundo. De pisar na pista de gelo e deslizar sem rumo. Provar a sobremesa mais inusitada. Desejar o simples sopro do vento como companhia na caminhada sob o sol que arde. Equilibra-se sob a superfície mais inusitada.
 Homens e mulheres, gêneros distintos, desejos mútuos, sonhos sonhados. As pessoas têm dessas coisas de querer o inusitado, almejar o inapropriado.  Adequados e inadequados em conflitos constantes buscando definir o certo e o errado.
 Aprender a viver as coisas da vida, a vida da gente.
 Manias bizarras, regras nostálgicas, perguntas sem respostas, contas sem resultado final. As pessoas têm dessas coisas.
 Degustar doce e azedo ao mesmo tempo. Sentir saudade de quem está longe. Escrever cartas que não serão enviadas. Por meio de indiretas, confessar gritos da alma sufocada.
 Prever onde os pingos de chuva cairão, as lágrimas que irão escorregar, mansamente, pelo rosto frio. Prever o improvável. Realizar o dito impossível. Ignorar as regras universais.
 É as pessoas têm dessas coisas de testar os limites, correr para o perigo, pular para o vácuo. Se lançar em queda livre para os sonhos. Esconder o sorriso maroto com um olhar desconfiado. Testar a paciência do mais impaciente dos seres.
 Manter a esperança de ter aquela oportunidade 
mais
 uma vez, ter mais uma chance. Dar- se conta de que perdeu algo que nem teve em mãos. Ver ir embora o que nunca lhe pertenceu.
 Perceber que a opção feita não era a que realmente desejavas.
 Entre erros e acertos, manter-se em pé. Continuar caminhando, mesmo que a passos lentos. Desvendar a magia das pessoas que têm dessas coisas, de dizer que estão brincando quando querem ocultar a verdade, o conhecimento deixado atrás de um “não sei” e o sentimento atrás de um “não me importo”.
 As pessoas têm dessas coisas de mentir para si próprias até para ver se se convencem do irreal. Buscando a todo instante manter sua autenticidade absoluta. 

13 de dezembro de 2011

As páginas da vida



 Coloridas, em preto e branco, multicolores, bifocais, desfocadas... Flashes de páginas da vida, das pessoas, das vidas das pessoas, da gente e de todas as gentes.
 Páginas com entrelinhas ocultas, frases escritas pela metade, histórias sem finais, pausas intermináveis. Fotografias que dispensam legendas. Canções sem traduções. Ligações interrompidas. Registros ocultos pelas almas atormentadas pelas emoções embaralhadas.
 O vento que sopra hoje não é o mesmo que brinca com os cabelos no fim da tarde.
 A noite que cai e acende as estrelas na imensidão universal sem fim.
 Reencontros de velhos amigos e novos amigos. Festejos de vida.
 As páginas da vida sendo escritas a cada olhar, em cada suspiro, em toda lembrança que passa frente os olhos margeados em lágrimas. As cenas de natal que se repetem anos a fora. As projeções para o ano vindouro. Mas o que muda? Cada dia não é uma nova vida? Uma nova oportunidade?
 A vida da gente tem coisas que nem a gente entende ou sabe por que é que acontecem ou deixam de acontecer.
 Palavras não ditas. Ruas evitadas. Olhares desviados. A realidade que não enxergamos, vemos a tudo, mas enxergamos apenas o que nos bem vier aos olhos.
 Paradigmas que precisamos superar para termos a plena felicidade. Ser feliz ou seguir as predeterminações dos outros que nada sabem da vida da gente?
Páginas repletas de indagações, muitas sem respostas. Mas e por que não criar as minhas próprias respostas? Se não há respostas, é por que estas precisam ser inventadas.
 As páginas que deixamos de escrever continuam ali, vidas em branco. A vida da gente tão complexa e por vezes tão simples, talvez por sermos nós mesmos que as complicamos e as tornamos complexas demais sem mesmo saber o porquê disso.
 Nos momentos de desespero, de tristeza que parecem não ter fim, rasgar todas as páginas, apagar tudo, esquecer tudo e todos, é o que nos consome. O futuro parece ser de escuridão total. A tal dita luz do fim do túnel soa tal como um deboche sutil. Mas aí a tempestade passa, e um novo amor te faz ver o sol brilhando nos olhos de outra pessoa e nos teus próprios olhos brilham. Afinal as páginas da vida da gente têm dessas coisas, bobas e simples, como um beijo roubado do ser amado. 

9 de dezembro de 2011

E o vento levou...




O vento veloz constante com os cabelos está a brincar adoidado. Ordem sem vaga. Norma sem roteiro. Improvisação total.
Sem cessar o sopro constante contesta meus passos. Frágil caminhar.
Uma golfada de vento.
Um descuido.
Um deslize.
Um susto.
A pasta branca de papel, frágil se abre com a força do vento feroz a uivar. As folhas brancas com alguns escritos vagos, sem contestar voam com o vento. E o vento feliz leva minhas frágeis folhas brancas com meus leves escritos. Na grama verde ao longe observo as folhas em uma ciranda inocente.
O campo sem obstáculos é a pista da dança delas. Frágeis folhas brancas com alguns escritos sutis.
Sem barreiras voam as folhas com os escritos a lápis.
Folhas que vejo o vento levar.
Veloz. Como pássaros que saem do ninho para o mundo. O vento tem pressa e leva com ele as minhas folhas campinas a fora.

“Pos-scriptum”
Na vida real as folhas foram resgatadas por três guardas do campus de uma universidade (pela qual andava em um dia de sol e com o vento batendo na cara), eles as pegaram e devolveram-me as passadeiras. Vento, vento que minhas folhas literalmente levou.

5 de dezembro de 2011

Sutis fugas


 Passos apressados.
 No inverno corro para os braços do sol, no verão fujo desesperada por uma sombra amiga que me abrigue do sol que arde em minha pele.
 Fugaz como um olhar corre para longe.
 As estrelas tardam a brilhar hoje.
 Os artistas famosos dos fãs se despedem sutis.
 Os sonhos de outrora foram com o vento sul para outras terras longínquas.
 Os amantes se olham, o olhar a dizer até breve.
 Os amigos festejam os dias vividos.
 Pessoas se dizem cansadas de tudo.
 E sutilmente se colocam em fugas sutis.
 Fogem das verdades.
 Deixam os objetivos deslizarem por entre os dedos frágeis que tremem.
 O músico com receio de errar as notas dos acordes observa seu instrumento largado no canto escuro.
 As fugas sutis se alastram iguais epidemias sem fronteiras.
 As desculpas esfarrapadas.
 As mentiras jogadas no ar.
 As verdades largadas na lixeira de uma esquina qualquer.
 Os pesadelos já são companheiros fiéis em todas as noites escuras.
 Palavras verdadeiras julgadas culpadas.
 Sutis fugas. 

3 de dezembro de 2011

Lembranças passageiras



 A brisa que bate na cara traz a lembrança das pessoas queridas que estejam do outro lado da lagoa.
 As ondas que quebram na parede de pedra são as mesmas que do outro lado, na areia branca, chegam mansas.
 Fixar o olhar no vai e vem das ondas e deixar o vento brincar a vontade com os cabelos desarrumados, um momento de paz, o silêncio das águas impera celestial.
 Antigo e moderno se contrastam no horizonte.
Medos e coragens lado a lado, lavam a alma, desprendem do corpo os pesos fugazes. Sutis recordações. Lembranças passageiras passam em um trailer veloz pelo consciente.
 O barco ancorado à espera dos tripulantes, no balanço das ondas se embala.
 As gaivotas que cortam o azul do céu voam rentes ao sol que reflete na água.
 As lembranças passageiras sutis partem sem pedir licença e nem se despedem.