13 de dezembro de 2011

As páginas da vida



 Coloridas, em preto e branco, multicolores, bifocais, desfocadas... Flashes de páginas da vida, das pessoas, das vidas das pessoas, da gente e de todas as gentes.
 Páginas com entrelinhas ocultas, frases escritas pela metade, histórias sem finais, pausas intermináveis. Fotografias que dispensam legendas. Canções sem traduções. Ligações interrompidas. Registros ocultos pelas almas atormentadas pelas emoções embaralhadas.
 O vento que sopra hoje não é o mesmo que brinca com os cabelos no fim da tarde.
 A noite que cai e acende as estrelas na imensidão universal sem fim.
 Reencontros de velhos amigos e novos amigos. Festejos de vida.
 As páginas da vida sendo escritas a cada olhar, em cada suspiro, em toda lembrança que passa frente os olhos margeados em lágrimas. As cenas de natal que se repetem anos a fora. As projeções para o ano vindouro. Mas o que muda? Cada dia não é uma nova vida? Uma nova oportunidade?
 A vida da gente tem coisas que nem a gente entende ou sabe por que é que acontecem ou deixam de acontecer.
 Palavras não ditas. Ruas evitadas. Olhares desviados. A realidade que não enxergamos, vemos a tudo, mas enxergamos apenas o que nos bem vier aos olhos.
 Paradigmas que precisamos superar para termos a plena felicidade. Ser feliz ou seguir as predeterminações dos outros que nada sabem da vida da gente?
Páginas repletas de indagações, muitas sem respostas. Mas e por que não criar as minhas próprias respostas? Se não há respostas, é por que estas precisam ser inventadas.
 As páginas que deixamos de escrever continuam ali, vidas em branco. A vida da gente tão complexa e por vezes tão simples, talvez por sermos nós mesmos que as complicamos e as tornamos complexas demais sem mesmo saber o porquê disso.
 Nos momentos de desespero, de tristeza que parecem não ter fim, rasgar todas as páginas, apagar tudo, esquecer tudo e todos, é o que nos consome. O futuro parece ser de escuridão total. A tal dita luz do fim do túnel soa tal como um deboche sutil. Mas aí a tempestade passa, e um novo amor te faz ver o sol brilhando nos olhos de outra pessoa e nos teus próprios olhos brilham. Afinal as páginas da vida da gente têm dessas coisas, bobas e simples, como um beijo roubado do ser amado. 

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