Coloridas, em preto e branco, multicolores,
bifocais, desfocadas... Flashes de páginas da vida, das pessoas, das vidas das
pessoas, da gente e de todas as gentes.
Páginas com entrelinhas ocultas, frases
escritas pela metade, histórias sem finais, pausas intermináveis. Fotografias
que dispensam legendas. Canções sem traduções. Ligações interrompidas.
Registros ocultos pelas almas atormentadas pelas emoções embaralhadas.
O vento que sopra hoje não é o mesmo que
brinca com os cabelos no fim da tarde.
A noite que cai e acende as estrelas na
imensidão universal sem fim.
Reencontros de velhos amigos e novos amigos.
Festejos de vida.
As páginas da vida sendo escritas a cada
olhar, em cada suspiro, em toda lembrança que passa frente os olhos margeados
em lágrimas. As cenas de natal que se repetem anos a fora. As projeções para o
ano vindouro. Mas o que muda? Cada dia não é uma nova vida? Uma nova
oportunidade?
A vida da gente tem coisas que nem a gente
entende ou sabe por que é que acontecem ou deixam de acontecer.
Palavras não ditas. Ruas evitadas. Olhares
desviados. A realidade que não enxergamos, vemos a tudo, mas enxergamos apenas
o que nos bem vier aos olhos.
Paradigmas que precisamos superar para termos
a plena felicidade. Ser feliz ou seguir as predeterminações dos outros que nada
sabem da vida da gente?
Páginas
repletas de indagações, muitas sem respostas. Mas e por que não criar as minhas
próprias respostas? Se não há respostas, é por que estas precisam ser
inventadas.
As páginas que deixamos de escrever continuam
ali, vidas em branco. A vida da gente tão complexa e por vezes tão simples,
talvez por sermos nós mesmos que as complicamos e as tornamos complexas demais
sem mesmo saber o porquê disso.
Nos
momentos de desespero, de tristeza que parecem não ter fim, rasgar todas as
páginas, apagar tudo, esquecer tudo e todos, é o que nos consome. O futuro
parece ser de escuridão total. A tal dita luz do fim do túnel soa tal como um
deboche sutil. Mas aí a tempestade passa, e um novo amor te faz ver o sol brilhando
nos olhos de outra pessoa e nos teus próprios olhos brilham. Afinal as páginas
da vida da gente têm dessas coisas, bobas e simples, como um beijo roubado do
ser amado.

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