A marca de uma pegada na areia...
A marca deixada por um passo em um caminho de barro...
A marca de pés molhados no piso espelhado...
A marca que deixamos por onde passamos...
Sherlock Holmes em muitas de suas minuciosas investigações descreve o perfil do personagem, bem como características do mesmo e até mesmo traços da personalidade do suspeito, a partir da marca deixada pelos passos do mesmo. Nos mais variados locais: em pós que foram depositados no local onde os pés repousaram por segundos (uma das mais recorrentes é o pó do cachimbo incrivelmente sempre presente em todos os contos e que geralmente acaba ficando, por um descuido, registrado em algum tapete), nas marcas dos pés no barro que a última chuva não lavou, na grama pisoteada.
Seria interessante por um dia ter a agilidade de raciocínio de Holmes.
Acredito que assim entenderia do por que de tantas escolhas que fizemos sem saber ao certo o porquê das mesmas.
Escolhemos as pessoas com as quais convivemos. Decidimos a forma que vamos conviver com elas, harmoniosamente ou não.
Muitas vezes nos vemos de frente a uma encruzilhada: falar ou não falar dos nossos sentimentos?
Expor requer coragem.
Por vezes sentimos medo de perder o que nunca nos pertenceu. O que nem de fato parte de nós chegou a fazer.
O risco de perda, sempre gera um receio.
Mas, ninguém, nem nada, são insubstituíveis.
Por que agimos, sofremos como se o mundo fosse acabar quando nos vimos defrontados com uma nova realidade em nosso círculo de convívios. Parece que um pedaço de nós se vai. Um vazio. Uma dor. Uma angústia.
Ou será tudo psicológico?
Coisas do nosso inconsciente?
Dizem alguns estudiosos da mente humana que inconscientemente sabemos o que vamos encontrar em cada relação que tivermos. Inconscientemente buscamos sofrer, buscamos indefinição. O que queremos é não sair da nossa zona de conforto.
Vejo as pessoas caminhando na rua. Cada qual com os seus passos ao seu próprio ritmo. Algumas com pressa. Outras com um pouco de delicadeza ao pisar. Alguns com o passo preciso decidido.
O que se passa no pensamento de cada uma dessas pessoas é uma incógnita.
Por vezes me pego a pensar quem são, para onde vão.
Como eu queria poder ler o pensamento alheio. Se bem que poderia descobrir informações, detalhes que poderiam não me agradar muito.
Voltando à Holmes, as marcas que deixamos consciente ou inconscientemente por onde passamos são características nossas.
Diz o saudoso Charles Chaplin: “Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.”
Ainda em O Último discurso, do filme O Grande Ditador:
“O Caminho da Vida
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas dos ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”.
E claro não poderia encerrar sem esta de Charles:
“Durante a nossa vida:
Conhecemos pessoas que vem e que ficam,
Outras que, vem e passam.
Existem aquelas que,
Vem, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vêm e se vão com uma enorme vontade de ficar...”
Viva sua vida por você, não pelos outros!