24 de junho de 2011

Boa noite D. Insônia

Deito a cabeça no travesseiro... fico a esperar os sonhos...

Mas ao invés do sono adormecedor, ela vem de mansinho e se aconchega ao meu lado, e dali não quer sair.
Leva-me para o passado...
Revejo rostos...
Relembro gestos...
Ouço sons...
A não! Uma lágrima teima em cair...
A saudade me invade...
Um vazio me abraça...

Um suspiro me afaga...
Uma buzina na rua me traz ao presente.
Acorda!
Ainda não adormeci o sono dos justos!
Quem merece o sono dos justos?
O que seria o sono dos justos?
Justos? Quem são eles?
Ah! D. Insônia...
A senhora me maltrata... me faz lembrar de coisas que quero esquecer.
Quais coisas?
Ah não! Já chega!
Deixe lá no inconsciente, no último canto da minha mente.
Afinal o que está no passado tem seus motivos para não fazer parte do presente.
Sinto-me tão estranha nesta relação intrapessoal...
Agora me vem ao consciente a frase que uma pessoa me disse (dias após me dei por conta que era a despedida dessa pessoa):
"Wenn die Vögel zu fliegen wollen, müssen wir zu lassen sie fliegen."
(“Quando os pássaros querem voar, a gente tem que os deixar voarem.” )
Um suspiro.
Ela quis amenizar a dor da partida me deixando longe fisicamente.
Porém meu inconsciente sabia que algo estava por vir.
As ligações que não eram completadas.
O dia em que tudo aconteceu... As horas intermináveis, os dias longos, as semanas, os meses, os anos... tudo passa.
“As flores vivas um dia murcharão, mas duram a vida toda as flores do coração.”

Boa noite D. Insônia.

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