27 de maio de 2016

Silêncio

No princípio era o silêncio.
Chegou o primeiro ruído.
O segundo sussurro.
O terceiro olhar.
Ah aquele olhar que tanto dizia!
Chegou o quarto som, o roçar das peles.
Almas que preenchiam o corredor de vozes.
Vozes que se calam.
O quinto é o estrondo de corpos na parede.
O sexto são os sonhos que se lascam ao tocarem o chão de mármore gelado.
No sétimo encontro o fim, o princípio do fim.
E no fim é o silêncio.
Silêncio que me consome.
No princípio era o silêncio.
No fim era só o silêncio.
O princípio e o fim se foram.
Resta...

            ... o silêncio

Extremos

Esses olhos que já viram pontes e estátuas
Já não conseguiram seguras lágrimas que teimaram em cair
Há dias que os medos cegam
A dor, às vezes, dá sinais de estar bem perto
Parece querer ter certeza que ainda é capaz de produzir algum efeito
Frio e calor percorrem o corpo em uma maratona alucinante
Parecem querer ter certeza de que todos os tecidos ainda os sentem
Arrepio e suor se misturam
Sensações, sentimentos, emoções
Tudo e nada
Início e fim
Preto e branco
Doce e amargo
Lágrima e sorriso
Triste e feliz
Vivo e morto
Quanta coisa cabe no “e”?  
Entre os extremos é que a infinitude acontece.