25 de março de 2014

A xícara

A xícara que hora atrás continha o chá quente, agora cheia de ar frio está.
A mente antes cheia de planos mirabolantes para salvar o mundo, especialmente salvar as pessoas das artimanhas safadas e traiçoeiras das vãs relações sociais dos seres da sociedade, mantem-se agora, por instinto de sobrevivência em uma mente egoísta.
Cansada de lutar, chorar, sofrer, batalhar, buscar, correr, rastejar, calejar as mãos por outros que nem o olhar te dispensa.
Salvar o mundo?
Salvar as pessoas?
Apenas, simplesmente, apenas, amenizar as angústias e dúvidas dos outros, trabalhar pelo outro, ser pelo outro para o outro seja e tenha algo bom.
É possível que o que se julgue bom para o outro, para ele de nada lhe interesse. Nem a sua curiosidade desperta.
O ar frio que preenche a xícara é o mesmo que preenche o espaço deixado pelos mirabolantes na mente de outrora.
Queria ser o rei da floresta, com um rugido tal qual do Rei Leão!
Queria ser o malabarista que no alto da bicicleta de uma roda só faz os malabares dançarem livremente pelo espaço acima da sua cabeça.
Queria tanto. Queria nada.
Querer. Ter. Ser.
 A xícara quer ser lambuzada com o mais cremos chocolate quente de que se têm notícias por estas terras.
Porém, agora o ar frio a preenche.
Mas, ela não cansa. Espera paciente, que o filtro dos sonhos que balança na janela filtre alguns sonhos legais que a preencham de frescor novo. Frescor dos sonhos que andam esquecidos debaixo do travesseiro.