25 de fevereiro de 2013

Diário de um universitário



Entre idas e vindas, passo a semana em viagens para a Universidade. Na paisagem os morros do coração do Rio Grande do Sul vão desabrochando. Sonhos, expectativas, anseios, nervosismos pre prova, caras cansadas, sorrisos contagiantes, conversas animadas, pessoas com suas vidas, pessoas que vivem o universo da universidade. Todos com a mochila repleta de coisas materiais e com um turbilhão de emoções e sentimentos são transportados pelo transporte coletivo.
Querido diário, hoje eu vejo que a nossa cidade ainda tem os seus olhos baixos pelo recente turbilhão trágico que a sacudiu. O sorriso ainda não sai solto. Mas, penso em tantos sonhos interrompidos. No lugar da dor, olho para os sonhos que vão neste ônibus lotado, lotações que acontecem diariamente em vários horários, independente de a universidade estar em período letivo ou não, e preocupo-me com a segurança destes sonhos.
            A negligência com que se encara esta situação é assustadora. O que as autoridades estão esperando? Mais uma tragédia na cidade do coração do Rio Grande do Sul? Sim, por que esta é uma tragédia anunciada há algum tempo já. Penso que a superlotação a que temos que nos submeter a cada dia - por que os escassos horários nem sempre são cumpridos, atrasos; obriga-nos a pegar o ônibus lotado que chega à parada – é um risco de vida que estamos correndo. O não cumprimento das normas de segurança de um veículo quando não se respeita o limite de passageiros, cedo ou tarde, terá consequências.
            Enquanto que as lágrimas secam e se busca identificar os responsáveis pelo trágico ocorrido em nossa cidade, precisamos resguardar os sonhos que seguem viajando para o campus todos os dias. Meu querido diário, preciso ir tenho aula e vou pegar um “universidade”. Peço que os anjos de guarda me acompanhem e que o ônibus me deixe no campus sem nenhum arranhão.

6 de janeiro de 2013

Tênis e vinho



Descalço meus pés.
Abro a garrafa de vinho.
As folhas secas roçam a pele.
Rasgo o papel que envolve o chocolate.
Deslizo o lápis sobre o papel branco. As palavras surgem. A alma grita. Os sonhos desenhados no papel.
Quero sentir os sonhos vivos, quero vive-los.
O vinho desliza pela garganta.
Espero a angústia se desvairar por aí.
Deixo a respiração mais leve, os ombros mais soltos.
Adoçar o viver, amolecer o coração.
Cantar uma canção.
Sonhos que sonho.
Os minutos passam rápidos, mas tu ainda demoras a chegar.
Talvez um cochilo diminua a espera ou me impeça de ver o tempo passar.
O sol já se vai. O vento já vem chegando. Rabisco em um canto do papel branco teu nome.
Calço meu tênis, vou ver se tu já estás na esquina. A garrafa de vinho vai comigo e os versos que rabisquei para ti também.