Entre idas e
vindas, passo a semana em viagens para a Universidade. Na paisagem os morros do
coração do Rio Grande do Sul vão desabrochando. Sonhos, expectativas, anseios,
nervosismos pre prova, caras cansadas, sorrisos contagiantes, conversas
animadas, pessoas com suas vidas, pessoas que vivem o universo da universidade.
Todos com a mochila repleta de coisas materiais e com um turbilhão de emoções e
sentimentos são transportados pelo transporte coletivo.
Querido
diário, hoje eu vejo que a nossa cidade ainda tem os seus olhos baixos pelo
recente turbilhão trágico que a sacudiu. O sorriso ainda não sai solto. Mas,
penso em tantos sonhos interrompidos. No lugar da dor, olho para os sonhos que
vão neste ônibus lotado, lotações que acontecem diariamente em vários horários,
independente de a universidade estar em período letivo ou não, e preocupo-me
com a segurança destes sonhos.
A
negligência com que se encara esta situação é assustadora. O que as autoridades
estão esperando? Mais uma tragédia na cidade do coração do Rio Grande do Sul?
Sim, por que esta é uma tragédia anunciada há algum tempo já. Penso que a
superlotação a que temos que nos submeter a cada dia - por que os escassos horários
nem sempre são cumpridos, atrasos; obriga-nos a pegar o ônibus lotado que chega
à parada – é um risco de vida que estamos correndo. O não cumprimento das normas
de segurança de um veículo quando não se respeita o limite de passageiros, cedo
ou tarde, terá consequências.
Enquanto
que as lágrimas secam e se busca identificar os responsáveis pelo trágico
ocorrido em nossa cidade, precisamos resguardar os sonhos que seguem viajando
para o campus todos os dias. Meu querido diário, preciso ir tenho aula e vou
pegar um “universidade”. Peço que os anjos de guarda me acompanhem e que o
ônibus me deixe no campus sem nenhum arranhão.

