27 de fevereiro de 2012

Em busca da batida perfeita



 Buscamos chegar à tranquilidade merecida. Ao aconchego permanente. Ao sorriso constante. Ao olhar dos cúmplices.
 Meço meus defeitos. Diminuo minhas manias.
 Aprendo a controlar meus instintos e usá-los a nosso favor.
 Piso de mansinho para não acordar quem está a dormir.
 Respiro levemente para transmitir paz.
 Dedico meu tempo a propiciar carinho e bem estar.
 O óbvio não é o que nos consome, mas o simples. O simples gesto é que nos enaltece.
 Pessoas com imperfeições em busca da batida perfeita. Perfeita para a gente. Que combine nossas respirações. Faça nossos sonhos voarem para além dos limites dos céus.
 A canção que aproxima as almas amigas.
 Palavras se tornam desnecessárias, basta o olhar.
 A cumplicidade nos protege dos perigos do mundo.
 Os braços que protegem são os mesmos que oferecem aconchego nos momentos de dor.
 Os medos que se dissipam leves como um sorriso.
 O delicado toque que acalma a alma.
 O cheiro que perfuma a alma cansada. Cansada de sonhar. Cansada de esperar...esperar o desconhecido.
 Não posso me permitir fracassar novamente, permitir que os meus olhos deixem de brilhar.
 Se o mundo acabasse agora ao seu lado estar é meu último desejo.
 O vento furioso leva os pesadelos para longe, fora do alcance dos meus olhos.
 As escuras nuvens, gigantes, bravas a lutar contra a calmaria, despacham baldes de água dos céus para lavar do meu corpo toda a negatividade para que a positividade reine absoluta.
  Buscamos acertar as nossas batidas.
 Um olhar.
 Um sorriso tímido.
 Isto já me basta. Essa é a batida perfeita.
Aumento o som. Permito-me viver!

25 de fevereiro de 2012

ENQUANTO OUÇO A CANÇÃO




A chuva cai. Nada posso fazer apenas contentar-me em vê-la cair.
A alma inquieta chora por nada poder fazer apenas aguardar os fatos se concretizarem.
Desejo que os pesadelos não passem de pesadelos. Os sonhos, estes sim quero ver virar realidade.
Minha sutil compreensão pode não compreender o porquê das lágrimas que caem. Elas apenas são mais fortes que a minha vontade de segurá-las escondidas dentro dos meus olhos.
Esquecer-me da tua fragrância é meu maior medo.
O fugaz medo de ter medo.
Tudo pode passar como a nuvem que tapa o sol por alguns segundos. Mas e se não for?
 Se o pesadelo virar realidade, o que devo fazer?
Correr não adiantaria, pois os sentimentos não me abandonam. Petrificados em meu ser me consomem.
Enquanto ouço aquela canção meu mundo interior desaba em devaneios mil. Como queria poder decidir o futuro das pessoas, as decisões que elas tomarão, mas e aí elas estarão felizes? Saberia eu qual é o caminho para a felicidade delas? Se meu próprio caminho descubro a cada dia...
Enquanto ouço a canção vejo as gotículas de água que caem juntas, incontáveis, límpidas.
Algumas luzes da cidade são acesas.
Uma bola de cristal para ver o futuro, apenas isso.
Não sofrer por antecipação, praticamente inevitável, assim como segurar as lágrimas que insistem em cair.
Um dia a chuva parará de cair e então as lágrimas secarão.
Inevitável será não se lembra dos risos partilhados.
Dos olhares trocados.
A chuva cai.
A canção ecoa.
As lágrimas caem.
Mas eu sei que o sol irá voltar. Um dia ele irá voltar. Fico a esperar a sua volta.





Era outra vez...



A música recomeça...
O vento volta a soprar...
Os sonhos retornam a me acompanhar em noites finitas...
O sol novamente está a se despedir neste dia...
Uma vez sonhei e outra vez acordei e vi que era um sonho...um sonho, apenas um sonho.
Porém eu acredito que os sonhos em preto e branco também se tornam reais.
São as esperas que sugam todo o colorido das flores.
Esperando o trem passar permito-me sonhar com os olhos abertos. E outra vez constatar que tudo vale a pena quando a alma não é pequena, quando os sonhos são suficientemente pequenos para se tornarem reais.
Era outra vez um sonho pequeno que se materializou frente meus frágeis olhos.
Eram outras vidas, outras pessoas, outras vidas da gente, outras gentes da vida...
Outras...outras que não me pertencem por isso quero apenas o que me pertence: o olhar, o sorriso, o cafuné, o ombro que me acolhe perfeitamente.
Era uma vez um sonho que não quero mais e era uma outra vez uma pessoa que só sonhava e hoje quer outra vez sonhar e levar consigo o que em outrora eram meros sonhos e hoje são meu chão.
Ouço velhas canções enquanto espero meu sonho real à minha porta bater e com um sorriso tornar meu era uma vez em uma outra vez melhor ainda...