28 de setembro de 2017

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Silêncios
O que grita na lágrima que escorre pela face cansada?
O silêncio é quebrado em rompantes que açoitam quem sou
Querem que eu seja
Algo
Alguém
Que não sei ser.
Ser
Ou não ser
Sou assim
Querem que eu seja flor perfeita
Flor já sou, mas sou flor imperfeita


P.S. Sou o que sou e não o que querem que eu seja

Estações

Há dois tipos de estações
Mas são tão parecidas
Tempos e espaços de chegadas, estadas, partidas
Há o tempo da chegada
Como as folhas que brotam mansinhas anunciando um novo tempo
Como o apito do trem que anuncia que está chegando
Querendo seus espaços anunciam suas chegadas

As estadas são incertas
Em um dia primavera
Quando menos esperar o inverno lança seus flashes de presença
A estada do trem na estação é cronometrada

As partidas são distintas
As cores do outono teimam em demorar-se a partir, mesmo que o branco cubra os terrosos
Na estação pode-se partir pulando para o vagão e partindo daquela estação
Ou, pode-se escolher a partir daquela viagem de trem para uma estada mais prolongada naquela estação
Ou, inclusive, partir para longe da ideia de um dia seguir com o trem

Chegadas, estadas, partidas
Quem somos, quem escolhemos ser, quem conseguimos ser
Tal como nas estações não há como prever a certeza dos fatos e atos