2 de julho de 2012

Futuro passado no presente.


A gota do orvalho mansamente vai rolando pela pétala o chão é o limite do seu voo.
Voo sem parar por entre devaneios que me consomem.
O café esfria enquanto te espero para o jantar.
Café e janta qual a ordem? Ordem para que? Por quê? Basta!
As ordens já não me satisfazem mais.
Preciso de mais.
Certo.
Incerto.
Possível.
Impossível.
Preciso.
Preciso: que a música continue; que os dançarinos continuem a valsa; que as lágrimas parem de cair; que os sorrisos voltem aos rostos felizes de outrora.
Preciso.
Preciso do abraço que me acalma; do olhar que me encoraja; da mão que segura a minha mão e me deixa, simplesmente, em paz!
Os sonhos já caíram mundo a fora.
As tempestades já velejam em outros mares.
Espero-te para o jantar.
Teu lugar reservado está.
Fico a esperar, será que virás?
Só o tempo me dirá.
Posso estar cometendo as maiores das minhas loucuras, o pior dos meus erros. Mas, continuo aqui inerte. Os sentimentos que antes me habitavam já se dissiparam. As letras grafadas no papel estão desbotando. As lágrimas secaram. O sorriso voltou. Onde antes o frio imperava, agora o calor é hegemônico.
Diálogos por madrugadas a fora.
Sonhos que tempestuam as noites de lua cheia.
A música que quero para sempre lembrar.
O sentimento que quero seja infinito enquanto durar.
Intenso infinito incerto que me perturba a serenidade dos segundos.
Posso tudo, posso nada, nada e tudo que não quero.
O amargo que adoça o viver.
O doce que amarga o vivido.
Futuro passado no presente.
As cartas amarelas entre mãos trêmulas.
A ligação que não recebo.
A espera do futuro no presente que vai me deixando no passado.
E a gota do orvalho toca o chão árido.

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